Na cidade, desinformação é o principal problema
Na luta contra a febre aftosa, uma das principais barreiras é a desinformação. Embora apreensiva, a população de Grandes Rios ainda não sabe bem como agir. A preocupação com a sa© úde existe, embora muitas pessoas tenham declarado que não deixaram de consumir carne ou queijo com o anúncio da suspeita da doença no município. Em todo caso, sobram histórias curiosas.
A doméstica Eva da Silva, por exemplo, disse estar com medo da aftosa. No entanto, ela continua tomando leite e comendo carne. Mas a repentina aparição da gripe do frango - na Ásia - foi motivo para a mãe dela parar de comer frango.
O pastor Benedito Antônio afirmou que não ficou preocupado, nem com medo. Ontem ele estava no açougue da cidade comprando charque. ''Eu sempre compro charque, não é por causa da aftosa'', disse. O gerente do açougue Vanderlei Morelli diz que a carne vendida em seu estabelecimento é comprada em frigoríficos de outras cidades, portanto livre da suspeita de contaminação. ''É preocupante porque o município sobrevive da pecuária. Os pequenos produtores não terão para quem vender o leite, os laticínios irão demitir seus funcionários. Uma coisa puxa a outra'', avaliou. Na avaliação dele, o movimento ainda não caiu. ''Final de mês sempre é meio fraco'', resumiu.
No entanto, na cidade se comenta que depois do anúncio da suspeita, consumidores teriam ido devolver a carne já comprada e alguns açougues, que abatem na própria cidade, teriam suspendido o comércio de gado.
Segundo o veterinário Paulo Kluthcowski, técnico da Seab, a febre aftosa é uma zoonose que atinge somente animais biangulados (com o casco partido). ''Todo mundo foge da aftosa porque ela traz um prejuízo grande para a fauna. A doença provoca queda na produtividade do boi, abortos nas vacas e até a morte de bezerros'', comentou. No entanto, se for constatada a aftosa no Estado, ele disse que a Seab tem condições de ''limpar'' o Estado em um mês. (F.M.)





