Imagem ilustrativa da imagem Na busca pela produtividade
| Foto: Celso Pacheco
O combate a plantas daninhas e a utilização correta da agricultura de precisão são alguns dos pontos discutidos no evento promovido pela Esalq/USP



Se há uma commodity que o agricultor paranaense tem bagagem para produzir, sem dúvida é a soja. Os números da próxima safra (2016/17) comprovam a eficiência do Estado: a expectativa de volume recorde de 18,2 milhões de toneladas numa área de 5,23 milhões de hectares. Entretanto, o grau de eficiência do produtor no quesito produtividade ainda esbarra em alguns gargalos, como o combate a plantas daninhas, utilização correta da agricultura de precisão e uma nutrição e adubação adequadas.
Assuntos que estão sendo esmiuçados durante o III Encontro Nacional da Soja, que encerra hoje no Parque de Exposições Ney Braga, em Londrina. Ao todo, 300 produtores rurais, engenheiros agrônomos, técnicos agrícolas e estudantes participam do evento, que trouxe pesquisadores de peso para as palestras de diversos assuntos.
De acordo com Pedro Marincek, organizador do evento promovido pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), o sojicultor brasileiro é muito especializado. "O produtor está num patamar elevado no que diz respeito à oleaginosa, por isso brigamos no mesmo nível dos Estados Unidos há tantos anos. Para evoluirmos na produtividade, só apostando em novas tecnologias, defensivos e manejos que estão surgindo constantemente".
Um dos grandes problemas que têm causado dor de cabeça aos produtores, sem dúvida, são a tolerância e resistência de diversas ervas daninhas ao glifosato. Os casos mais atuais são o capim pé-de-galinha e o Amaranthus palmeri. O professor da Esalq/USP Pedro Christoffoleti aponta ações que podem ser eficazes no combate a essas pragas. "Na situação que vivemos hoje, o glifosato atuando sozinho não resolve mais o problema e são necessários parceiros de atuação ou a diversificação do sistema. A pesquisa está propondo aos produtores a associação do glifosato a outros herbicidas, principalmente os produtos com base de residuais no momento da dessecação para que a soja seja semeada ou plantada no limpo, sem a presença das plantas daninhas", explica ele.

Resistência
Entretanto, para realizar esse "combo" de defensivos contra as plantas daninhas, o produtor precisa conhecer o efeito dessas interações, que podem ser sinérgicas, ou seja, com o efeito mais eficiente do que se os produtos fossem aplicados separadamente, ou antagônicas, quando diminui o poder de atuação das moléculas. "Nos Estados Unidos, por exemplo, os sojicultores entendem que a resistência ao glifosato é um dos principais desafios dos últimos 30 anos. Estamos perdendo produtividade de soja devido ao simples detalhe do manejo correto de defensivos".
Outra situação que precisa de atenção está ligada ao uso correto da agricultura de precisão nas lavouras. O engenheiro agrônomo Fernando Martins, especialista no assunto, diz que as tecnologias estão há 20 anos no País, mas que ainda são utilizadas sem critério, perdendo a eficiência. "Muitas vezes as ferramentas são utilizadas como a salvação da lavoura, e toda a aposta em cima delas faz com que percam eficiência. Elas são muito utilizadas na aplicação de corretivos e taxas variáveis do solo, mas é preciso olhar outros elementos, como a compactação, pragas, etc.".

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