Carmem Murara
De Curitiba
Depois das sucessivas crises financeiras inter nacionais, que abalaram economias consideradas sólidas como a dos Tigres Asiáticos, os países se preparam para uma nova onda mundial de crescimento econômico, que começa já nos primeiros anos do próximo milênio. A previsão foi feita na quinta-feira, em Curitiba, por um dos maiores defensores do liberalismo no País, o ex-deputado federal e economista Roberto Campos.
Ele afirma que esta onda será digitalizada e vém através da evolução da comunicação de dados. ‘‘Começamos a revolução pela Internet e em seguida temos a revolução da engenharia genética. A terceira revolução será a da miniaturização de produtos’’, afirma Campos. Ele diz que a ‘‘desmaterialização’’ da produção já começou com a redução do volume e da confecção de bens de produção. Cada vez mais manuseamos equipamentos mais compactos e mais eficazes, sendo os computadores o maior exemplo disso.
Roberto Campos é um defensor da globalização e diz que ela começou muito antes de ter se tornado um termo popular na bocas das pessoas em todo o mundo. Para ele, a primeira globalização foi na época do Império Romano, onde havia um intercâmbio populacional, uma moeda corrente e uma mesma cultura que se espalhou pela Europa e que nos deixou o latim como legado.
A segunda globalização, conforme análise do ex-deputado, veio com o período das Grandes Navegações estimuladas por Portugal e Espanha. Novas rotas e novos países foram descobertos. ‘‘A terceira globalização foi nos anos de La Bele Époque, em 1860, com Inglaterra e França, quando surgiram as democracias’’, lembra Roberto Campos.
Entusiasta do Estado mínimo, o ex-deputado diz que a globalização é positiva nos aspectos comerciais e tecnológicos, Mas pode ser ‘‘maligna’’ no setor financeiro, com o avanço da especulação e com os capitais voláteis. ‘‘O mundo tem que criar uma salvaguarda para evitar que países inteiros entrem em crise por causa da fuga de capitais de um dia para outro’’, diz.
Roberto Campos avalia que os países precisam se preparar para enfrentar a nova tendência econômica e afirma que o Brasil tem de fazer as reformas estruturais para não perder a nova onda de crescimento econômico. ‘‘Brasil e Rússia desapontaram na questão econômica, só que o Brasil começa a deixar de ser paternalista, apesar de ainda estar muito longe de ser liberal’’, diz o economista. Ele afirma que o Brasil acertou ao definir como metas uma economia com estabilidade e uma austeridade fiscal.
‘‘Para participarmos da quarta onda temos que fazer nossas reformas política e fiscal, porque nosso sistema tem de ser ágil e competitivo’’, afirma o ex-deputado. Evocando a teoria liberal, Roberto Campos diz que um País só sobrevive com um governo mínimo, baixo imposto, liberdade empresarial e abertura internacional.

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