Mutuários protestam em Maringá
Lucinéia Parra
De Maringá
Mutuários do Banco Banestado, em Maringá, protestaram ontem contra a falta de renegociação da dívida. Os mutuários moram no Conjunto Ipanema e contraíram os empréstimos em 1989. Eles afirmam que já pagaram entre R$ 15 mil a R$ 20 mil em prestações e o saldo devedor varia de R$ 35 mil a R$ 43 mil. As casas financiadas têm entre 51 e 64 metros quadrados e o preço atual no mercado é de aproximadamente R$ 15 mil.
Os mutuários querem que o Banestado conceda os mesmos descontos que são oferecidos às famílias que estão comprando os imóveis retomados pelo banco. De acordo com os mutuários, o Banestado vem se recusando a negociar a dívida. A vendedora Iracema Mazetto diz que contraiu o empréstimo em 1989, mas o saldo devedor ainda é de R$ 34 mil. Ela afirma que já pagou quase R$ 20 mil e que recentemente, fez uma proposta ao banco para quitar a dívida. Ofereci R$ 7 mil do Fundo de Garantia e R$ 5,3 mil em cinco parcelas, mas o banco não aceita negociar com a gente. Só refinancia para as pessoas de fora que não investiram nada no imóvel, reclama
De acordo com documento apresentado pelo banco à Iracema, a prestação de R$ 300,00 mensal abate apenas R$ 2,69 da dívida. Os juros somam R$ 220,82 mensal. O vendedor autônomo Severino Justino Ferreira, também não aceita os juros cobrados pelo banco e quer renegociar a dívida. Ele financiou uma casa de 64 metros quadrados em 1989, mas o saldo devedor ainda é de R$ 43 mil. Não dá para concordar com este sistema de financiamento do banco. Para nós que somos mutuários antigos e fizemos benfeitorias nos imóveis, o banco não quer fazer o refinanciamento e insiste em afirmar que ainda devemos mais de R$ 40 mil, mas para outras pessoas o banco está vendendo as casas por R$ 12 mil, critica.
Segundo o gerente de habitação do Banestado, José Carlos Davine, cada mutuário deve apresentar uma proposta por escrito à direção do banco. Ele explicou que o Banestado segue as normas do sistema de financiamento de habitação e que os juros cobrados são estipulados pelo sistema. O problema dos juros não é do Banestado, mas o que for possível fazer para colaborar com os mutuários vamos fazer.





