Mutuários da Encol querem assumir as obras inacabadas
PUBLICAÇÃO
domingo, 12 de abril de 1998
Agência Estado 
Compradores de imóveis construídos pela Encol, que entrou em concordata preventiva há três meses, estão negociando com a construtora e alguns bancos saídas para eventual retomada de obras paradas. Ao todo, a Encol possui 652 obras paralisadas em 63 cidades de 20 Estados do País. Por enquanto, há três bancos Bradesco, Itaú e Caixa Econômica Federal interessados em financiar a conclusão das obras, por meio de negociação direta com os compradores. Até a semana passada, essas instituições financeiras evitavam comentários sobre o assunto. É certo, porém, que o comprador, mesmo tendo quitado o imóvel, terá de desembolsar mais recursos para a conclusão de obras.
O presidente da Associação Nacional de Compradores de Imóveis da Encol, Charles Belchieur, já quitou o apartamento inacabado de quatro dormitórios no edifício Maison Versailes, em Brasília, pelo qual pagou em 1993 valor equivalente a R$ 160 mil. Outros 55 compradores de unidades desse empreendimento também quitaram totalmente o imóvel. Mesmo assim, para ter a conclusão das obras, todos terão de gastar mais aproximadamente R$ 40 mil, calcula. Segundo Belchieur, a retomada das obras vale a pena, nesse caso, porque a Encol fez o repasse da escritura do empreendimento. Agora, poderemos reiniciar as obras com recursos próprios ou por meio de financiamento, que está sendo solicitado a vários agentes financeiros, entre os quais a CEF.
Os compradores em geral estão tentando obter o controle direto das obras, o que depende do repasse da escritura dos terrenos pela construtora. Com a escritura, os mutuários podem registrar o condomínio e assumir os custos da obra e dos impostos para concluir a construção.


