Compradores de imóveis construídos pela Encol, que entrou em concordata preventiva há três meses, estão negociando com a construtora e alguns bancos saídas para eventual retomada de obras paradas. Ao todo, a Encol possui 652 obras paralisadas em 63 cidades de 20 Estados do País. Por enquanto, há três bancos Bradesco, Itaú e Caixa Econômica Federal interessados em financiar a conclusão das obras, por meio de negociação direta com os compradores. Até a semana passada, essas instituições financeiras evitavam comentários sobre o assunto. É certo, porém, que o comprador, mesmo tendo quitado o imóvel, terá de desembolsar mais recursos para a conclusão de obras.
O presidente da Associação Nacional de Compradores de Imóveis da Encol, Charles Belchieur, já quitou o apartamento inacabado de quatro dormitórios no edifício Maison Versailes, em Brasília, pelo qual pagou em 1993 valor equivalente a R$ 160 mil. Outros 55 compradores de unidades desse empreendimento também quitaram totalmente o imóvel. Mesmo assim, para ter a conclusão das obras, todos terão de gastar mais aproximadamente R$ 40 mil, calcula. Segundo Belchieur, a retomada das obras vale a pena, nesse caso, porque a Encol fez o repasse da escritura do empreendimento. ‘‘Agora, poderemos reiniciar as obras com recursos próprios ou por meio de financiamento, que está sendo solicitado a vários agentes financeiros, entre os quais a CEF’’.
Os compradores em geral estão tentando obter o controle direto das obras, o que depende do repasse da escritura dos terrenos pela construtora. Com a escritura, os mutuários podem registrar o condomínio e assumir os custos da obra e dos impostos para concluir a construção.

mockup