Mutuários da Encol pedem ajuda oficial
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quinta-feira, 21 de agosto de 1997
Cristine Pieske Curitiba 
Kraw PenasNo mesmo barcoCompradores que não receberam apartamentos entregam alimentos aos funcionários que estão com salários atrasadosCerca de 30 compradores de imóveis da Encol fizeram ontem pela manhã, em Curitiba, um protesto pedindo que o governo federal tente minimizar os prejuízos causados pela construtora. Revoltados, os clientes se reuniram em frente à agência central da Caixa Econômica Federal, na Praça Carlos Gomes, exibindo cartazes contra a Encol. Alguns clientes levaram pacotes de macarrão, arroz, feijão e biscoitos que seriam entregues simbolicamente aos funcionários da empresa, que estariam há mais de 60 dias sem receber o pagamento.
Os mutuários da Encol fizeram também um abaixo-assinado que deverá ser entregue ao governador Jaime Lerner e ao prefeito Cássio Taniguchi. A professora Maria Cristina Bergo, uma das integrantes da comissão de negociação que reúne funcionários da empresa e clientes lesados, afirma que outras manifestações já estão programadas. Não vamos desistir enquanto não for encontrada alguma solução, diz Maria Cristina.
A professora, assim como vários outros participantes do protesto, havia aplicado uma economia de mais de 20 anos na compra de um apartamento que não chegou a ser terminado. Espero que o meu investimento de R$ 140 mil não fique totalmente perdido, desabafa. A assessora administrativa da prefeitura, Martina Bublitz, chegou a vender a casa e os dois carros para juntar os R$ 120 mil necessários para comprar um apartamento. Previsto para ser entregue no início de agosto, o prédio foi abandonado pela construtora quando ainda estavam sendo feitas as obras de fundação. Mas tenho esperança de reverter este prejuízo, afirma.
O engenheiro civil e bancário Volni Antônio Demeneck também perdeu todo o dinheiro que vinha economizando há mais de dez anos. O bancário já havia planejado vender o apartamento onde mora para se mudar para o edifício construído pela Encol. Pensei que fosse uma empresa de confiança. O prédio, que deveria estar pronto em julho do ano passado, deixou de ser construído quando era erguida a segunda laje. Pelo projeto, o edifício Siena Tower teria 23 andares.
A Encol tem 28 obras em Curitiba. Apenas um prédio foi concluído e está prestes a ser entregue aos futuros moradores. O edifício é o Jardim Botânico. Ele só foi terminado porque o Banco Itaú fez um acerto com os mutuários e bancou o final da construção. Excluindo os donos dos apartamentos do edifício Jardim Botânico, o restante dos 1,7 mil clientes da Encol não sabe se um dia vai receber os apartamentos comprados através de financiamentos.


