O administrador de empresas Ralfe Rabelo Andrade, de Londrina, foi uma das vítimas do aumento gigantesco do financiamento da casa própria entre março e abril de 1990. Na época, ele pagava as prestações de um contrato assinado em janeiro de 1989 para adquirir um apartamento na rua Espírito Santo.
''Tomei um susto mas segui pagando as parcelas. Entrei na Justiça quando o acúmulo se tornou impagável'', diz Rabelo. Em 1997, instruído pela Associação Nacional dos Mutuários, o administrador ingressou com ação questionando os valores do saldo devedor e das prestações do financiamento. ''Já tinha pago R$ 120 mil por um apartamento com preço de mercado de R$ 60 mil. Tomei uma providência antes que fosse obrigado a pagar três apartamentos'', explica Rabelo.
Desde então, ele paga apenas o depósito judiciário de R$ 460 mensais determinado pela Justiça, enquanto a ação não é julgada. Quando procurado pela reportagem, Rabelo ainda não sabia da decisão do STJ, no último dia 4. ''Vou procurar saber mais e, quem sabe, exigir restituição de valores. Já basta o aperto que eu passei, quando as prestações eram tamanhas que parecia que a Caixa queria que eu desistisse do apartamento. Se tenho direito a benefícios, não posso abrir mão'', afirma Rabelo.(F.G.)

mockup