Mutuário pede prisão do dono da Encol
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terça-feira, 02 de setembro de 1997
Carmem Murara Curitiba 
O empresário curitibano Gal Czerny, um dos 42 mil mutuários lesados pela construtora Encol, ajuizou ontem no Ministério Público um pedido de abertura de inquérito policial, sequestro de bens e prisão preventiva do dono da construtura, Pedro Paulo de Souza. A ação foi recebida pelo procurador Dilton Fraça, que encaminhará o caso para a Polícia Federal. O inquérito deve ser concluído dentro de um mês.
O pedido de providência pede que a prisão preventiva seja dada o mais rápido possível para evitar dano maior. O advogado Rodolfo Linconl Hey, que assina a petição, alega que a Encol teve ganho ilícito em detrimento de número indeterminado de pessoas. Considero uma ação extremada, que se enquadra perfeitamente no crime do colarinho branco, afirmou o advogado. Ele aponta ainda a prática de crime de estelionato.
Além da ação de Gal Czerny, outros 130 compradores de imóveis da construtora ajuizam hoje, na Justiça Comum, uma ação ordinária de rescisão contratual. A medida permite que a Encol transfira a responsabilidade do término da obra para os clientes da empresa. Queremos que a construtora deixe de ser a incorporadora dos prédidos Siena Tower e Pamplona Tower e passe a obra para a gente tocar, afirmou Juliana Czerny (mulher do empresário Gal Czerny).
Secretária da Associação dos Adquirentes de Apartamentos dos Edifícios Siena Tower e Pamplona Tower, Juliana disse que a pressa em ajuizar ações na Justiça se deve ao fato de a construtora estar prestes a pedir a autofalência. Se houver a autofalência, nós seremos os últimos a receber o que a empresa nos deve, protestou Juliana.
Ela e o marido já pagaram R$ 50 mil por um apartamento de três quartos, que até agora está apenas com 17% de sua construção terminada. A obra deveria ser entregue em março deste ano, mas está completamente parada. O prédio teria 20 andares e 158 apartamentos. No caso de Juliana, falta pagar ainda todo o financiamento com o banco. Mas há três meses, os compradores dos imóveis nos dois prédios suspenderam o pagamento das prestações.
Associação estadualOs mutuários da Encol formariam ontem à noite mais uma associação para representá-los contra a construtora. Desta vez, a intenção é formar uma entidade que reúna todos os compradores de apartamentos no Estado. A Encol tem 1,7 mil mutuários em todo o Estado, que começam a ser chamados para participar da associação. A reunião para discutir o que será feito a partir de agora aconteceria em um dos prédios parados da empresa, onde funciona a sede da Encol.


