Murphy tem desafio de cortar mais de US$ 1 bi na Argentina
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quinta-feira, 08 de março de 2001
Agência Estado De Buenos Aires 
O novo ministro de Economia da Argentina, Ricardo López Murphy, quer cortar entre US$ 1,2 bilhão e US$ 1,5 bilhão nos gastos públicos, mas não sabe como. Com pressões políticas gigantescas, tanto da oposição com dos partidos que sustentam o governo, López Murphy está praticamente atado dos pés à cabeça para colocar em andamento a segunda reforma do Estado em pouco mais de um ano.
Se o ministro conseguir reduzir esse volume de gastos, o governo está disposto a reduzir ou eliminar alguns impostos nessa mesma proporção. As mais beneficiadas seriam as pequenas e médias empresas na carga tributária trabalhista, disse à Agência Estado uma alta fonte próxima ao chefe de gabinete da presidência argentina, Chrystian Colombo.
A nova reforma do Estado, entretanto, exige demissões em massa no setor público, mas o governo não tem aval político para isso. A fusão de ministérios (Educação e Ação Social), secretarias (Programação Econômica e Política Econômica) e autarquias, por exemplo, é necessária e factível, conforme estudos realizados pela Fundação de Investigações Latino-Americanas (Fiel), que foi presidida pelo atual ministro de Economia.
A eliminação de altos cargos de funcionários públicos apadrinhados por governos anteriores (civis e militares) e pelo atual, conhecidos como capas geológicas do funcionalismo público, também é viável, mas exige o aval da Aliança, de Raúl Alfonsín, e do Frepaso, de Carlos Cahcho Álvarez. Os líderes desses partidos, entretanto, não estão dispostos a concedê-lo em ano de eleições.
O governo quer também acabar com a isenção de impostos concedida a alguns setores do mercado financeiro. Os detentores de ações, por exemplo, não pagam imposto sobre os lucros. As TVs a cabo e todos os meios de comunicação também estão isentos desse imposto.
De acordo com essa fonte, o ministro quer também que as províncias e os mais de seis mil municípios do país cortem gastos. Se cada município conseguisse cortar pelo menos US$ 1 mil por ano, isso significaria uma redução de pelo menos US$ 6 bilhões nos gastos públicos, exemplificou essa fonte.
Finalmente, López Murphy espera cortes também significativos nos gastos políticos. Isto é, uma ampla reforma política que permita fazer redução de custos na Câmara e no Senado. A intenção do ministro é totalmente fiscalista, mas, por um lado, quer reativar a economia com os ajustes e a redução de impostos necessários, disse.
Plano paraguaioDiante de uma grave crise econômica e com as finanças do Estado à beira do colapso, o presidente Luis González Macchi tentava ontem formar um governo de união nacional. O ministro do Interior, Julio César Fanego, disse ontem à rádio Uno de Assunção que na próxima segunda-feira o mandatário divulgará um novo plano econômico e um projeto de acordo político com todos os setores. Rumores não confirmados indicam que seriam afastados os ministros de Saúde Pública, Obras Públicas, Agricultura e Pecuária e Economia. Os titulares das pastas de Justiça e Trabalho, Indústria e Comércio e da Secretaria Técnica de Planejamento puseram desde ontem seus cargos à disposição do chefe de Estado.


