Curitiba A correção da tabela do Imposto de Renda (IR), em cerca de 10%, deverá provocar uma perda de arrecadação avaliada entre R$ 2 bilhões a R$ 5 bilhões aos municípios brasileiros. No Paraná, 75% dos municípios serão prejudicados com a correção do imposto porque são dependentes de repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), constituído pela arrecadação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e IR, informou o procurador da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), Julio Cesar Henrichs.
Para o governo do Estado, a correção da tabela do IR é muito pequena e não vai afetar o repasse de recursos, disse o secretário da Fazenda, Heron Arzua. Ele explicou que o prejuízo maior recai sobre Estados do Norte e Nordeste e prefeituras que dependem dos repasses do governo federal. ''Que não é o caso do governo do Paraná'', acentuou.
De acordo com Henrichs, a União corrige os tributos, cuja arrecadação é compartilhada entre Estados e municípios, para atender aos anseios da população, mas não mexe nas contribuições sociais (CPMF, PIS, Cofins) que vão direto para os cofres do governo federal. ''Em três meses do ano passado, a União arrecadou R$ 11 bilhões só em contribuições sociais sem dividir com ninguém'', disse. Segundo Arzua, as contribuições sociais que antes representavam 20% do orçamento da União, hoje correspondem a 80%.
''O governo passa a imagem que está atendendo a população, quando ela é a maior prejudicada pela perda de arrecadação dos municípios'', destacou Henrichs. Segundo ele, com perda de arrecadação, os municípios terão menos orçamento para investir em infra-estrutura nas cidades, onde a população mora, acrescentou.
O presidente da AMP, Joarez Lima Henrichs, que também é membro da Confederação Nacional dos Municípios, vai propor uma ação na Justiça para elevar em 1% a parcela do FPM destinado a Estados e municípios. Os municípios querem elevar a cota de participação de 22% para 23,5% do bolo tributário.
De acordo com o secretário Arzua, é um cinismo falar em perdas para os governos estaduais, porque a correção da tabela do IR não acompanhou a inflação dos últimos anos. ''Nesse período, os preços também subiram e no fundo a situação pouco muda'', esclareceu.

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