Municípios interditados podem decretar emergência
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de outubro de 2005
Vera Barão<br>Reportagem Local 
Os quatro municípios de Amaporã, Grandes Rios, Loanda e Maringá, interditados pela Defesa Sanitária Estadual em razão da suspeita da febre aftosa, podem decretar estado de emergência devido aos prejuízos que os pecuaristas estão amargando nesses últimos 8 dias. O secretário de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab), Orlando Pessuti, declarou ontem que já pediu aos municípios e aos Conselhos Sanitários Agropecuários (CSA) para fazerem levantamentos da situação e, se for o caso, decretar estado de emergência.
''Se os prejuízos forem grandes e os municípios entenderem que devem decretar a emergência, eles podem fazer isso, assim como acontece quando tem um vendaval e a Defesa Civil é acionada. Neste caso, será preciso ver quais os requisitos para isso e as vantagens e desvantagens'', afirmou Pessuti, acrescentando que no Paraná existem 161 conselhos. ''Não me lembro de cabeça se nesses quatro municípios têm CSA, mas já estive pessoalmente nesses locais conversando com os prefeitos e informando sobre essa possibilidade'', complementou o secretário.
Confirmado o estado de emergência, os municípios passam a contar com recursos do governo federal para bancar os prejuízos dos produtores rurais. ''Não sabemos o montante, nem quanto seria o valor porque não temos ainda esse recurso'', explicou o secretário, que espera para amanhã o resultado dos exames dos animais suspeitos que estão sendo realizados no Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro), em Belém do Pará.
Hoje, a partir das 14 horas, o secretário se reúne em Londrina com pecuaristas e representantes do setor. A reunião deve ocorrer no Parque Ney Braga, sede da Sociedade Rural do Paraná (SRP). Ele admite a demora dos exames. ''Mas estamos dentro do prazo. No Mato Grosso do Sul (Eldorado), onde foi descoberto o foco, os exames demoraram entre 10 e 11 dias. Estamos há 8 dias esperando e acredito que até amanhã saia. Este assunto é muito sério para se resolver rapidamente. São testes biológicos e temos que lidar com isso com a maior seriedade'', comentou.
Na última sexta-feira, foram encaminhados para o laboratório de Belém do Pará, pela terceira vez, material dos animais suspeitos de terem contraído a febre aftosa. Os dois exames feitos anteriormente não foram conclusivos.
Ontem, foi divulgada a nova resolução nº 93 no site do governo do Estado, mantendo a proibição do trânsito de todos os animais vivos, seus produtos e subprodutos nos municípios declarados de área de risco sanitário. Pessuti informou que a secretaria está estudando uma nova resolução para os próximos dias. ''É preciso fazer alguns ajustes em relação a esta última resolução. Precisamos atualizar e provavelmente vamos esperar o resultado dos exames''.
Questionado se está confiante num possível resultado negativo sentimento da maioria dos produtores rurais da região de Grandes Rios, o secretário respondeu: ''Não estou confiante, nem desconfiante. Torço para que seja negativo. Este é o meu desejo'', resumiu. Se ficar comprovado a aftosa, o secretário salienta que os prejuízos no Estado aumentarão. ''Já tivemos prejuízos quando houve focos da doença em outros Estados nos últimos anos. Só em razão do foco no Mato Grosso do Sul, houve embargo da carne em 35 países''.


