O novo superintendente da Autarquia Municipal de Saúde de Londrina, o médico Aparecido José Andrade, reconhece que o Sistema Único de Saúde tem dívidas em atraso não apenas com o Hospital Evangélico, ''mas como todo o sistema hospitalar da cidade''. Um dos motivos apontados foi o reajuste de 32% nos procedimentos médicos no final de 2007, sem considerar os novos valores no orçamento de 2008. Outro motivo apontado foi uma mudança no sistema de processamento de dados, que ''acabou atrapalhando um pouco''.
Andrade justifica que há todo um trâmite burocrático a ser percorrido que pode demorar até 90 dias a partir do momento em que o hospital faz a prestação de contas. Mas, segundo ele, este tempo pode ser reduzido, dependendo da ''agilidade'' do hospital. ''Tem hospital que é mais ágil que o outro e por ser mais rápido recebe antes que o hospital mais moroso neste processo''.
O diretor financeiro da autarquia, Valcir Miguel da Silva, admitiu que as contas podem até ficar na gaveta, como alega a direção do Hospital Evangélico, mas não por descaso, e sim à espera de recursos. ''Nós temos um teto que o Ministério da Saúde encaminha para Londrina; e não adianta o hospital encaminhar os procedimentos que porventura ultrapassem este teto porque não existem recursos financeiros para repasse''.
Andrade aponta que a saída é política e que a única forma de resolver o problema é pleitear mais recursos junto ao governo federal. ''A nossa primeira tentativa é sentar com os hospitais e buscar saídas junto a nossos políticos para a gente conseguir os recursos necessários para que a demanda seja totalmente ressarcida. Embora se fale que a Saúde tem R$ 221 milhões (no orçamento), na verdade, vendo o número absoluto parece grande, mas se você ver a distribuição, não dá. A gente não tem como fazer milagre. O dinheiro que existe hoje é insuficiente para gerir a saúde em Londrina, não há a menor dúvida''. (E.A.)

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