O dólar comercial manteve trajetória de queda ontem pelo terceiro dia consecutivo mesmo sem intervenção direta do Banco Central (BC) no mercado. A moeda norte-americana encerrou em baixa de 2,90%, vendida a R$ 2,312, cotação mais baixa desde 18 de maio, véspera do anúncio pelo governo da crise de energia no País. A continuidade do movimento de venda de moeda para realização de lucros ou de prejuízos por tesourarias de bancos e exportadores e o fluxo ligeiramente positivo ontem voltaram a derrubar os preços e tornaram desnecessária nova atuação do BC.
Profissionais de câmbio disseram que a autoridade monetária observou de perto os negócios ontem, através de consultas às mesas, mas só para intimidar o mercado – tática que surtiu efeito. Isso porque o mercado sabe que o BC conta, agora, com munição pesada (captações de US$ 10,8 bilhões, dos quais US$ 4,6 bilhões ingressarão via mercado) para irrigar os negócios e atacar eventual reação do dólar.
Os especialistas não estão apostando num tombo do dólar na próxima semana, mas num ajuste das cotações até um patamar de equilíbrio, que seria na faixa de R$ 2,28 a R$ 2,30. Isso porque, desde o fechamento do mercado na terça-feira passada, o dólar comercial já caiu 6,74%.
Essa forte depreciação da moeda norte-americana vem influenciando positivamente a taxa de risco do País. Segundo o JP Morgan, o risco Brasil também caiu 6,27% desde o fechamento do mercado na terça-feira (quando o dólar bateu R$ 2,479, recorde de alta do Plano Real), ao fechar ontem em 837 pontos base.
No mercado à vista, o dólar comercial manteve forte volatilidade, ao oscilar 1,90% sempre em terreno negativo, entre a mínima de R$ 2,311 (-2,94%) e a máxima de R$ 2,355 (-1,09%). A Ptax (média das cotações apurada pelo BC) fechou em R$ 2,3296, em queda de 3,15%. O giro financeiro no D+2 pronto aumentou 23,85%, para US$ 2,212 bilhões, ante US$ 1,786 bilhão de anteontem.
Apesar da melhora de expectativas no mercado gerada pela ofensiva do Banco Central contra a alta do dólar, o Índice Bovespa fechou em baixa de 0,94% nesta sexta-feira. Operadores observaram, no entanto, que em virtude da queda nas cotações do dólar, o Ibovespa registrou alta de 2,08% ontem se a sua pontuação for convertida em dólar.
(Marisa Castellani, Silvana Rocha e Mário Rocha)

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