Munição do BC faz dólar cair a R$ 1,89
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terça-feira, 09 de março de 1999
Agência Estado 
A possibilidade de o Banco Central poder abastecer o mercado com dólares num montante de US$ 3 bilhões ainda em março - muito além dos vencimentos externos das empresas previstos para este mês - derrubou ontem a cotação do dólar abaixo de R$ 1,90 pela primeira vez desde 10 de fevereiro. É muita bala, resumiu um operador. No fechamento do mercado, a moeda era negociada a R$ 1,89, baixa de 4,55% em relação à véspera.
A queda reflete uma lógica própria do mercado. A redefinição da política cambial vai dar mais liberdade para as instituições trabalharem, disse o vice-presidente do Bradesco, Antonio Bornia. A partir de agora, o BC estará pronto para intervir vendendo dólares quando as pressões de compra surgirem e as instituições não estarão mais presas a um mercado com escassez de moeda.
Esse cenário já produziu efeitos positivos ontem, com muitos bancos aumentando o volume de posições vendidas, ou seja, tomando mais linhas em dólares no exterior para fazer arbitragens com as taxas domésticas, antes que o preço caia ainda mais. A idéia é obter ganhos enquanto a cotação está elevada.
Ao que tudo indica, porém, a queda foi reforçada pela atuação BC, que vendeu dólares para algumas instituições na faixa de R$ 1,91 a R$ 1,92. Um banco, pelo menos, confirmou que teria comprado do BC.
A velocidade de queda do dólar até os níveis de R$ 1,70 fixados pelo governo vai depender da retomada do fluxo de capitais para o Brasil. O vice-presidente do Bradesco está otimista. No fim de março ou início de abril, ele acredita na retomada das linhas comerciais.
A mudança de cenário provocada pelo Memorando Técnico acertado com o FMI foi um primeiro passo. O Bradesco é responsável por 14% dos financiamentos do mercado de comércio exterior e, desde janeiro, registra uma queda na renovação das linhas entre 30% e 40%, de acordo com o executivo.
Além dos limites de vendas, outro ponto considerado importante pelo mercado para evitar os desequilíbrios nas cotações são os dados sobre as taxas médias de câmbio divulgadas ontem. O economista-chefe do Banco Bilbao Vizcaya (BBV), Octavio de Barros, avaliou que a medida teve o objetivo de introduzir algum grau de previsibilidade no câmbio flutuante. A intenção é dar um norte para o mercado, não se trata de meta ou de um número a ser perseguido pelo Banco Central.
Outro sinal importante, disse, é indicar para os exportadores que o momento de fechar o câmbio é este porque a tendência da taxa é de declínio. Postegar a operação pode implicar uma receita menor em reais.
As projeções do câmbio no mercado futuro também declinaram, mas não em velocidade suficiente para promover todos os realinhamentos indicados para que as hipóteses mensais utilizadas pela equipe econômica no Memorando Técnico.
O contrato futuro de dólar negociado na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) com vencimento mais curto - início de abril - caiu abaixo do parâmetro de cotação (R$ 1,90) definido pelo governo brasileiro para o fim de março.


