Milton DóriaPeres, ontem na
RuralTec: reflexão
e autocrítica
diante de desafios Até o ano 2020 a demanda mundial de alimentos, em torno de 5 bilhões de toneladas/ano, vai duplicar, exigindo mais tecnologia de produção, conforme projeção da FAO, organismo da ONU para a agricultura. Como as áreas disponíveis, a serem incorporadas à produção, não passam de 10% da atual área agricultável, a oferta de comida no mundo dependerá de ganhos em produtividade. Só existem novas fronteiras agrícolas na África e América do Sul. Países como o Brasil, que podem dispor de novas áreas, devem aumentar sua participação no mercado. Mas precisam ser mais eficientes.
Argumentando em cima de dados como estes, que apresentou em profusão, o pesquisador José Roberto Peres defendeu ontem de manhã, em Londrina, a necessidade de o Brasil investir mais em ciência e tecnologia e organizar seu agribusiness. Peres, que é diretor de Difusão de Tecnologia para o Agronegócio da Embrapa, falou para um público seleto no estande da RuralTec, na Exposição Agropecuária sobre o ‘‘impacto da tecnologia na propriedade’’. Os agricultores, por sua vez, têm que se organizar e mostrar competência: apesar da demanda sempre crescente de alimentos em termos mundiais, a concorrência é forte nos blocos econômicos. As projeções sobre consumo de grãos protéicos e oleaginosos no Brasil (hoje estacionado em modestos 500 gramas per capita/dia) apresentam uma ascensão mais rápida. No ano 2005, o abastecimento precisará de 30 milhões de toneladas de grãos, cerca de 60% sobre a demanda atual, segundo dados do técnico.
Peres também argumentou contra a privatização da pesquisa agropecuária que não pode prescindir do seu caráter social. Nos Estados Unidos 50% da pesquisa é feita por empresas privadas, mas 90% das instituições públicas dependem de orçamento oficial. O que ocorre nos EUA é uma forte expansão das empresas privadas que fazem ciência e tecnologia por uma questão de mercado.
Os desafios para a pesquisa são muitos e estão, por exemplo, no cerrado, com potencial para produzir até 176 milhões de t. Ou na produção de carne, que pode chegar 11 milhões de t, ‘‘número absolutamente factível’’. Porém, não é confortável - diz o pesquisador - produzirmos 20 kg/ha/ano quando temos tecnologia para chegar aos 100 kg/ha/ano.

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