Mundo deve crescer menos de 2% este ano
Se a Ásia não conseguir reagir, o restante do mundo conseguirá continuar crescendo economicamente? O Fundo Monetário Internacional (FMI) previu, em abril, que a crise financeira da Ásia reduzirá o crescimento mundial, de 4% no ano passado, para 3% este ano. Mas os acontecimentos da semana passada fazem essa previsão parecer os conselhos que o FMI deu à Indonésia. Os cálculos do FMI são otimistas em excesso, diz Andy Xie, economista baseado em Hong Kong que trabalha para a corretora americana Morgan Stanley Dean Witter. Francamente, a esta altura eles são irrelevantes. Xie teme que os males da Ásia arrastem o crescimento mundial, de 4% no ano passado para menos de 2% este ano.
Por estranha ironia, um iene muito fraco nem sequer ajuda muito o Japão. Claro que torna mais atraentes os toca-CDs Sony no estrangeiro, mas também eleva o preço que o Japão precisa pagar pelo petróleo e todas as outras matérias-primas que o país importa. Segundo estudo feito no ano passado pelo Instituto de Pesquisa do Japão, quando um dólar compra mais de 138 ienes o efeito negativo do aumento no preço dos produtos importados neutraliza grande parte do efeito positivo das exportações mais baratas. Para o Japão, a situação ideal é quando um dólar compra 123 ienes, diz Kenji Yumoto, economista que fez o estudo.
Portanto é bom não esperar grande consolo nesta situação difícil. As perspectivas do Japão de recuperar a robustez por meio das exportações não são nada boas. Os números sobre crescimento econômico foram o melhor indício de como o Japão tirou pouco proveito da queda do iene, que continua quase sem interrupção desde abril de 1995, ocasião em que a moeda japonesa atingiu o pico de 79 ienes em relação ao dólar. Segundo a Agência de Planejamento Econômico, o PIB real do Japão teve contração de 1,3% entre janeiro e março, em comparação com o trimestre anterior. Foi o segundo trimestre consecutivo de crescimento negativo, mostrando que o Japão voltou oficialmente à recessão. Se projetado para um ano inteiro, o índice mostrou que a contração no primeiro trimestre atingiu assombrosos 5,3%.
Os sintomas do aperto do Japão parecem óbvios para qualquer um que tente fazer negócios na Ásia. O mais chocante - e prejudicial - é que bancos japoneses se retiram desordenadamente de países cujas economias eles ajudaram tanto a construir. Segundo as mais recentes cifras do Banco de Compensações Internacionais (BIS), bancos japoneses tinham, na Ásia, empréstimos pendentes num total de US$ 250 bilhões no fim de dezembro; eles correspondiam a 32% do total de empréstimos estrangeiros feitos à região.
James Fiorillo, analista de atividade bancária na ING Barings em Tóquio, voltou recentemente de uma viagem na qual entrevistou banqueiros japoneses e seus clientes no Sudeste Asiático. Ele calcula que cerca de US$ 30 bilhões de empréstimos japoneses à região podem tornar-se incobráveis e informa que os bancos japoneses interromperam os empréstimos e estão reduzindo sua exposição a riscos. Segundo o BIS, bancos japoneses cobraram empréstimos num total de US$ 26 bilhões, de junho a dezembro do ano passado.





