Múltis dizem que fazem 'contra-dumping'
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sábado, 03 de junho de 2000
Emerson Cervi De Curitiba 
Acusadas por donos de postos em algumas regiões do Estado de fazer dumping (baixa proposital de preço para quebrar a concorrência), representantes das multinacionais que atuam na distribuição de combustíveis no Brasil defendem-se dizendo que são obrigados a fazer contra-dumping. Para o gerente de relações setoriais da Shell do Brasil S.A., James Freitas de Assis, não se trata apenas de um jogo de palavras.
As distribuidoras tradicionais estão tendo prejuízos para combater a concorrência desleal de empresas que conseguem vantagens competitivas, afirma. Segundo ele, existem determinadas áreas com postos praticando preços abaixo do custo. Na maioria das vezes, pela falta de pagamento de contribuições e impostos ou adulteração do produto.
Se sobre o litro de gasolina da refinaria de Araucária, responsável por cerca de 90% do combustível vendido no Paraná, fosse recolhido todos os impostos, coberto todos os custos e mantidas as margens de lucro, o preço na bomba ficaria em R$ 1,288 em março. Nesse mês, poucos postos praticavam esse preço. O diesel custaria R$ 0,616. O álcool hidratado vendido no Estado custaria R$ 0,825, mas é quase impossível encontrar preços acima de R$ 0,799. Assim, o consumidor está pagando menos pelo combustível, mas não sabe quanto isso custa realmente porque pode estar comprando produto de baixa qualidade.
Para o posto com bandeira (que vende produtos de uma distribuidora com exclusividade) concorrer no mesmo patamar de preços, as margens de lucros dos distribuidores e varejistas precisam ser reduzidas. Nós estamos levando prejuízo em muitos casos e fazendo com que o dono do posto reduza a margem para poder continuar no mercado, mas isso só acontece em áreas onde existe nas proximidades um posto sem bandeira praticando preços abaixo do mercado, diz.
Assis cita o exemplo da cidade de Cascavel (Oeste do Estado), onde a Shell distribui combustíveis para sete postos de gasolina. Em três deles é preciso fazer o contra-dumping devido à concorrência local. Nos outros quatro os varejistas conseguem trabalhar com a margem de lucro de R$ 0,07 por litro, considerada ideal.
O contra-dumping não é financeiramente interessante para a Shell, ele diz. No ano passado, a área de distribuição de combustíveis da empresa apresentou um prejuízo de R$ 13 milhões. O balanço do primeiro quadrimestre de 2000 mostrou um resultado negativo de R$ 13 milhões, o mesmo prejuízo de todo o ano passado.
O Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), que reúne 12 empresas, fez um estudo técnico sobre irregularidades nos combustíveis e encontrou 21 formas usadas para reduzir o preço da gasolina e oito maneiras de fazer a mesma coisa com o álcool (leia quadro nesta página). Dependendo da forma de distorção, os preços da gasolina na bomba do posto podem ficar de 8% a 37% mais baixos. A variação do álcool chega a ser 33% menor.


