Multinacional vai produzir enzimas para etanol no PR
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Adriana De Cunto<br> Equipe da Folha 
Curitiba - De olho no mercado de biocombustível, a empresa dinamarquesa Novozymes, líder mundial na produção de enzimas, inaugurou ontem, em Araucária, Região Metropolitana de Curitiba (RMC), um novo centro de pesquisa. A principal novidade desse laboratório é o desenvolvimento de enzimas para etanol de segunda geração, também chamado de celulósico, feito a partir do bagaço da cana-de-açúcar e etanol de cereais. A multinacional, cuja sede para a América Latina está localizada na RMC, investiu R$ 3,5 milhões nesta nova unidade.
Boa notícia para o Brasil, que pretende dobrar sua produção de etanol até 2020. No ano passado, o País produziu 26 bilhões de litros de etanol, mas não foram suficientes para a atender a demanda nacional e o jeito foi importar dos Estados Unidos mais um bilhão de litros de biocombustível.
O aproveitamento da biomassa poderá ajudar o Brasil alcançar a meta nos próximos anos. Isso porque, uma tonelada de cana-de-açúcar gera 45 litros de etanol e 270 quilos de bagaço, que poderão render 40 litros de etanol de segunda geração.
Antes da inauguração, executivos da Novozymes receberam os jornalistas brasileiros para uma entrevista coletiva. Entre os presentes, o presidente da empresa para a América Latina, Pedro Luiz Fernandes; o vice-presidente executivo da multinacional, Per Falholt; e o vice-presidente de biocombustíveis, Steen Skjold Jorgensen.
Outros países, como Itália, Estados Unidos e China já começaram a construir usinas de produção de biocombustível de segunda geração a partir do capim elefante, milho e arroz. Em 2013, a Novozymes e empresas parceiras colocarão em funcionamento uma indústria demonstrativa de produção de etanol celulósico. Os nomes dos parceiros não foram divulgados, mas o financiamento vem do programa PAISS, do BNDES e do Finep, cujo objetivo é selecionar projetos que contemplem o desenvolvimento, a produção e a comercialização de novas tecnologias industriais destinadas ao processamento da biomassa a partir da cana-de-açúcar. Segundo Falholt e Fernandes, esta planta experimental deverá ser construída no Estado de São Paulo, que concentra quase 70% das 425 usinas de cana-de-açúcar do Brasil.
A unidade inaugurada ontem permite à empresa dinamarquesa atuar em duas frentes. A primeira é a realização de pesquisas aplicadas tanto no setor de biocombustíveis quanto em outras áreas em que a Novozymes também atua amplamente, como enzimas para panificação, bebidas, limpeza doméstica e ração animal. A segunda área de atuação envolve ações de soluções para os clientes, assessorando, por exemplo, as indústrias na implantação de plantas industriais e produtos. A Novozymes faturou no ano passado US$ 1,7 bilhão de dólares, sendo que 14% desse faturamento foi revertido para pesquisas.


