Multinacional quer marcas da Cacique
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terça-feira, 24 de janeiro de 2017
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 

A Jacobs Douwe Egberts (JDE), segunda colocada entre as indústrias de café no Brasil no ranking da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), anunciou nesta segunda-feira, 23, que ingressou com pedido de compra das marcas locais da Cia Cacique, fundada em Londrina nos anos 50 e hoje com sede administrativa em São Paulo. A JDE é uma empresa holandesa, líder mundial e totalmente dedicada ao mercado de cafés e chás. O valor da transação não foi divulgado.
A aquisição está sujeita à aprovação de autoridades regulatórias brasileiras. Segundo a assessoria de imprensa da JDE, a companhia está presente em mais de 100 países europeus, latino-americanos e na Austrália, dos quais é líder ou vice em participação de mercado em 27. Entre as principais marcas comercializadas no Brasil estão Pilão, Damasco, Café do Ponto, LOR, Caboclo e Seleto.
O interesse da multinacional é nas marcas locais da Cacique, como Café Pelé, Graníssimo e Café Tropical. Conforme a agência Reuters, a aquisição não inclui as duas grandes fábricas de processamento de café, em Barueri (SP) e Londrina. A assessoria da JDE aponta que a transação permitirá à Cacique que concentre esforços no negócio de café solúvel.
Assim, a expectativa é complementar o portfólio da JDE no País e fortalecer a liderança em regiões estratégicas, informa a assessoria. A Cacique é também a maior exportadora brasileira de café solúvel, com mais de 50 anos de experiência e conhecimento no segmento de café. A empresa de origem pé-vermelha tem produtos embarcados para mais de 70 países nos cinco continentes.
As duas empresas não divulgaram informações complementares sobre a transação, à espera da aprovação da compra.
Mercado forte
Segundo informações da Abic, os dez maiores torrefadores brasileiros representam cerca de 75% do mercado local. Porém, são mais de 1,2 mil marcas no País, quando consideradas as regionais. Por indústria, o Grupo 3 Corações lidera o mercado, seguido por JDE, Marata, Melitta, Mitsui e Cacique. A aquisição daria força à JDE para brigar pelo topo na preferência do consumidor.
Em entrevista do diretor de marketing da empresa, Ricardo Souza, à publicação "Propmarket", em 2014, ele afirmou que a participação de mercado da marca Pilão era de 13%, ou 18% quando somadas outras marcas. Metade do mercado é dividido entre Pilão, Melitta e 3 Corações, também segundo o executivo.
O mercado de café convive com expectativas otimistas, apesar da crise. De acordo com o último balanço anual da Abic, o consumo per capita nacional foi de 4,90 kg ao ano de café torrado e moído em 2015, o que equivale a 6,12 kg de café verde em grão, ou 81 litros.
O consumo interno de 13,2 milhões de sacas em 2000 pulou para 20,5 milhões de sacas em 2015. O café moído e em cápsulas são as estrelas do consumo dentro do lar, com o café em pó representado 81% do volume total consumido e as cápsulas, 0,6% em 2014. Espera-se, contudo, que o mercado de cápsulas triplique em valor até 2019 e atinja R$ 3,0 bilhões, informa a Abic.


