Após a liberação do plantio da soja transgênica no Brasil, a multinacional Monsanto - produtora das sementes geneticamente modificadas RR - pleiteia junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) a liberação do uso do agrotóxico glifosato na fase de pós-emergência da cultura. A empresa é também a fabricante do defensivo Roundup Ready (RR), produzido à base do glifosato e que elimina as ervas invasoras da lavoura.
Atualmente, o produto só pode ser utilizado no período pré-emergência da planta, antes das sementes germinarem. Após a germinação, a aplicação é permitida apenas nas valas entre uma linha de planta e outra, sem que haja contato direto com as folhas e ramos da soja.
Antes da liberação dos transgênicos, não havia polêmica sobre o uso do glifosato após a emergência porque a soja convencional não resiste ao herbicida e morre junto com as invasoras. A principal característica da soja RR é a resistência ao glifosato mesmo depois da germinação.
No último dia 10, a Monsanto apresentou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) os resultados de estudos de campo que comprovariam que os resíduos deixados pelo agrotóxico não são prejudiciais à saúde humana. Luis Cláudio Meireles, gerente geral de toxocologia da Anvisa, explicou que esse não foi o primeiro pedido da multinacional.
''Os estudos anteriores foram recusados por problemas metodológicos'', informou, acrescentando que o novo pedido está sendo avaliado. Lembrou, ainda, que o CTA não recomendou a autorização do glifosato por falta de bases técnicas. E acrescentou que o uso inadequando de agrotóxicos traz graves consequências à saúde, como intoxicação aguda ou doenças crônicas decorrentes da exposição contínua a pequenas doses dos produtos.
No início do mês, o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) ingressou na Justiça contra o Mapa e a Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Rio Grande do Sul para impedir a utilização de glifosato na soja transgênica.
Na ação, o Idec argumenta que o glifosato não possui registro no Brasil para uso nas partes aéreas (folhas e ramos) da soja. Segundo a instituição, o limite máximo de resíduos para a aplicação entre linhas é de 0,2 mg/kg.
O site do instituto na internet divulgou que ''o nível de resíduos químicos do glifosato nos grãos da soja transgênica deverá ser bem maior (que o limite máximo estabelecido). Esse limite ainda não foi analisado pelas autoridades públicas responsáveis (Ministério da Saúde, do Meio Ambiente e da Agricultura). Vale destacar que o glifosato é a principal causa de intoxicação dos trabalhadores rurais no Brasil''.

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