Multinacionais rejeitam alimentos transgênicos
Os grupos multinacionais exportadores de soja e milho nos Estados Unidos já manifestaram preocupação com a restrição à compra de produtos transgênicos pelos países europeus. Empresas como ADM, Stanley e Cargill já avisaram aos produtores norte-americanos que não pretendem comprar produtos transgênicos para exportação. Inclusive pretendem pagar um prêmio pela produção convencional. A Cargill já avisou que pretende fazer testes de laboratório antes de comprar a produção.
Os mais abalados com o anúncio foram os produtores de milho, que chegaram a devolver as sementes compradas entre janeiro e março, já que o anúncio das multinacionais foi feito em abril. Enquanto isso, os produtores de soja não se abalaram porque a maior parte da produção é consumida no mercado interno e os consumidores americanos têm confiança no USDA (Departamento de Agricultura dos EUA), que aprovou a nova tecnologia. Nesta safra o plantio de soja transgênica avançou nos Estados Unidos para até 60% da área ocupada com a cultura, que é de 210 milhões de ha. Apenas 20% da produção de soja é destinada ao mercado europeu.
Segundo Marshall Martin, professor e diretor do Departamento de Economia Agrícola da Universidade de Purdue, no estado de Indiana, o plantio de milho com sementes geneticamente modificadas poderá não atender à expectativa. A estimativa oficial para esta safra que foi semeada recentemente, indicava que o plantio de milho transgênico atingisse até 30% da área este ano, que é de 32,6 milhões de ha. Com o recuo dos produtores, a área ocupada com milho transgênico deve chegar no máximo a 10%.
A preocupação com a rejeição do milho na Europa aumentou quando a Monsanto, que comercializa a semente Roundup Ready, fez uma campanha de informação sobre os produtos transgênicos nos países europeus e o efeito foi totalmente contrário ao esperado, disse Martin. Segundo ele, como a Monsanto é uma empresa de origem norte-americana aumentou ainda mais a resistência dos europeus. (V.C.).
A repórter Vânia Casado viajou para os Estados Unidos a convite da Faep .

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