Foz do Iguaçu - A repressão ao contrabando na fronteira do Brasil com o Paraguai recebeu o reforço de multinacionais, ontem, em Foz do Iguaçu. Elas treinaram mais de 70 agentes de seis órgãos federais e estaduais, de cinco municípios do Oeste e Noroeste, para o combate à pirataria. O evento termina hoje.
  A Bic do Brasil S/A, Henkel Loctite, Johnson & Johnson, Nike do Brasil, Souza Cruz e Philip Morris ensinaram técnicas para o grupo identificar produtos falsificados que cruzam diariamente de Ciudad del Este para Foz, seja pela Ponte da Amizade, pelo Rio Paraná ou Lago de Itaipu.
  O mesmo curso foi realizado no mês passado em Paranaguá e será promovido, em novembro, no estado de São Paulo. O objetivo é organizar 12 seminários em pontos estratégicos do território nacional durante um ano.
  As corporações revelaram detalhes das diferenças entre originais e falsificados, entre eles isqueiros, canetas, cigarros, tênis, colas, preservativos. No País, o negócio ilícito corresponde a um prejuízo anual de R$ 50 bilhões. Deste total, cerca de R$ 3 bilhões passam por Foz.
  As duas indústrias do tabaco, por exemplo, revelaram prejuízos com o comércio ilegal. Segundo a Souza Cruz, dos 151 bilhões de cigarros consumidos anualmente no Brasil, 51 bilhões são falsificados ou contrabandeados (30%). O País é sexto maior consumidor do produto no mundo.
  A presença das duas indústrias do fumo tem o objetivo de combater a travessia de uma das principais mercadorias contrabandeadas na fronteira. O cigarro representa mais de 30% das mercadorias apreendidas na região ou US$ 120 milhões por mês.
  Mas, enquanto sacoleiros e cigarreiros criticam a vistoria da Receita Federal neste fim de ano, o diretor de assuntos mercadológicos da Philip Morris, Enio Rodrigues, amenizou a culpa deles. Durante sua palestra, ele responsabilizou os ‘‘grandes’’ como ‘‘verdadeiros beneficiados’’ pela ilegalidade.
  ‘‘A gente tem certeza, pelo volume movimentado nesse negócio, que se trata de um negócio altamente organizado. Não são os pequenos e coitadinhos (sacoleiros) que estão atrás disso. Eles são formigas que fazem um trabalho escravo. Pouquíssimas pessoas ganham muito e muitas ganham pouco’’, afirmou Rodrigues.
  Ele informou que as fábricas de falsificados estão concentradas na China e no Paraguai, mas lamentou que elas sejam protegidas por seus governos e exércitos. Os produtos ilegais entram no país pelos portos, depois são levados ao Paraguai, para posteriormente retornar ao Brasil.

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