Multinacionais entram na guerra ao contrabando
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quarta-feira, 16 de outubro de 2002
Alexandre Palmar<br>Equipe da Folha 
Foz do Iguaçu - A repressão ao contrabando na fronteira do Brasil com o Paraguai recebeu o reforço de multinacionais, ontem, em Foz do Iguaçu. Elas treinaram mais de 70 agentes de seis órgãos federais e estaduais, de cinco municípios do Oeste e Noroeste, para o combate à pirataria. O evento termina hoje.
A Bic do Brasil S/A, Henkel Loctite, Johnson & Johnson, Nike do Brasil, Souza Cruz e Philip Morris ensinaram técnicas para o grupo identificar produtos falsificados que cruzam diariamente de Ciudad del Este para Foz, seja pela Ponte da Amizade, pelo Rio Paraná ou Lago de Itaipu.
O mesmo curso foi realizado no mês passado em Paranaguá e será promovido, em novembro, no estado de São Paulo. O objetivo é organizar 12 seminários em pontos estratégicos do território nacional durante um ano.
As corporações revelaram detalhes das diferenças entre originais e falsificados, entre eles isqueiros, canetas, cigarros, tênis, colas, preservativos. No País, o negócio ilícito corresponde a um prejuízo anual de R$ 50 bilhões. Deste total, cerca de R$ 3 bilhões passam por Foz.
As duas indústrias do tabaco, por exemplo, revelaram prejuízos com o comércio ilegal. Segundo a Souza Cruz, dos 151 bilhões de cigarros consumidos anualmente no Brasil, 51 bilhões são falsificados ou contrabandeados (30%). O País é sexto maior consumidor do produto no mundo.
A presença das duas indústrias do fumo tem o objetivo de combater a travessia de uma das principais mercadorias contrabandeadas na fronteira. O cigarro representa mais de 30% das mercadorias apreendidas na região ou US$ 120 milhões por mês.
Mas, enquanto sacoleiros e cigarreiros criticam a vistoria da Receita Federal neste fim de ano, o diretor de assuntos mercadológicos da Philip Morris, Enio Rodrigues, amenizou a culpa deles. Durante sua palestra, ele responsabilizou os grandes como verdadeiros beneficiados pela ilegalidade.
A gente tem certeza, pelo volume movimentado nesse negócio, que se trata de um negócio altamente organizado. Não são os pequenos e coitadinhos (sacoleiros) que estão atrás disso. Eles são formigas que fazem um trabalho escravo. Pouquíssimas pessoas ganham muito e muitas ganham pouco, afirmou Rodrigues.
Ele informou que as fábricas de falsificados estão concentradas na China e no Paraguai, mas lamentou que elas sejam protegidas por seus governos e exércitos. Os produtos ilegais entram no país pelos portos, depois são levados ao Paraguai, para posteriormente retornar ao Brasil.


