Multinacionais e bancos já demitiram quase meio milhão
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terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Jamil Chade<br>Agência Estado 
Genebra - Siemens, Rio Tinto, PepsiCo, Sony, Vale e muitas outras. Em menos de seis meses, as grandes multinacionais e bancos já demitiram juntos quase meio milhão de pessoas diante da crise e preparam amplos projetos de corte de investimentos e reestruturação para enfrentar a recessão. Ontem, a suéca Electrolux anunciou a demissão de 3 mil trabalhadores.
Os anúncios, no final deste ano, tornaram-se praticamente diário para as tradicionais empresas. No total, as 200 maiores multinacionais já demitiram cerca de 270 mil pessoas. Diante da crise, a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) decidiram montar um grupo de especialistas para formular uma estratégia para tentar frear essas demissões.
Os setores mais afetados foram o da mineração, com 14 mil demitidos da Rio Tinto, 9 mil na Arcelor-Mittal, 5 mil na Vale e 5,5 mil na Lonmin. No setor de transporte e de automóveis, os casos de demissões são cada vez mais constantes, e isso antes mesmo de se saber se um pacote de resgate será concedido às empresas americana.
Na Europa, a Renault já despediu 6 mil, contra 2,2 das fábricas da Ford, 3,5 mil da Peugeot e até outros 2 mil da Rolls-Royce. Na Suécia, a Volvo demitiu outras 4,3 mil pessoas. Nem mesmo o Natal está salvando as empresas de tecnologia, acostumadas nos últimos anos a ver suas vendas explodir nessa época do ano. A Hewlett-Packard anunciou já em setembro demissões de 24,6 mil pessoas, contra 16 mil pela Sony.
Segundo a coordenadora do grupo da OIT criado para avaliar a situação do desemprego, Catherine Saget, nem o Brasil e nem a América Latina sairão ilesos. Já vemos empresas multinacionais tomando decisões de abandonar projetos em várias partes do mundo, inclusive no Brasil, disse. Os grandes bancos também estão promovendo demissões em massa. Juntos, já fecharam mais de 200 mil postos de trabalho, o que pode ser agravado diante da fraude descoberta na semana passada em Wall Street com Bernard Madoff.


