Depois da liberação para postos de combustíveis venderem gasolina de mais de uma distribuidora – os chamados postos bandeira branca –, o setor começa a passar por uma nova transformação. Trata-se da entrada de bandeiras multinacionais que começam a disputar o mercado brasileiro de revenda de combustíveis com empresas tradicionais e com as pequenas distribuidoras regionais brasileiras.
O grupo formado por uma empresa espanhola e uma argentina, Repsol-YPF vai assumir cerca de 300 postos com bandeira da BR Distribuidora nos três estados do Sul do País ainda no primeiro semestre deste ano. A italiana Agip, que não atuava nesse setor no Brasil, vai ficar com 254 postos que têm bandeira Shell no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. ‘‘Apesar de ainda ser um número pequeno de postos com novas bandeiras, isto vai começar a provocar mudanças no mercado brasileiro’’, diz o diretor de Planejamento do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis Derivados de Petróleo do Paraná (Sindicombustíveis), Pedro Milan.
‘‘Ainda faltam algumas etapas da abertura do mercado de combustíveis, mas as fusões de distribuidoras e novas bandeiras vão movimentar o setor neste ano.’’ Em todo o País existem cerca de 27 mil postos de combustíveis. A Agip e a Repsol-YPF vão ser responsáveis na primeira fase por menos de mil postos.
A Repsol-YPF está entrando no mercado brasileiro através da troca de ativos com a BR Distribuidora em função de restrições impostas pela legislação argentina. Há cerca de dois anos, o grupo espanhol Repsol comprou a distribuidora argentina G-3, que detinha 10% do mercado. Alguns meses depois a Repsol/G-3 comprou a distribuidora YPF, que tinha 45% do mercado de combustíveis da Argentina.
Como a legislação argentina não permite que uma distribuidora fique com mais que 45% do mercado, a Repsol-YPF teria que se desfazer de parte de seus postos. A alternativa encontrada foi a troca de ativos com a BR Distribuidora no Brasil. Pelo acordo, a BR assume parte de uma refinaria na Argentina e cerca de 10% dos postos com bandeira Repsol-YPF. Em contrapartida, a Repsol ficará com 30% da refinaria Alberto Pasqualini, no Rio Grande do Sul, e com a bandeira de cerca de 300 postos de combustíveis nos estados do Sul do Brasil.

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