Genebra - Brasil, China e Índia ganham o apoio das grandes multinacionais dos Estados Unidos e Europa na luta, na Organização Mundial do Comércio (OMC), contra os subsídios dados pelos próprios americanos e europeus ao setor agrícola de seus países. Anteontem, em Genebra, um grupo formado por gigantes como Unilever, Nestlé e Deutsche Bank emitiu um comunicado em que apóiam a rápida redução de todos os subsídios às exportações e pedem que os países ricos mostrem flexibilidade e ''generosidade''.
Segundo o comunicado distribuído a todos os governos, a reunião da OMC que ocorrerá em Cancún, em setembro, deve optar por um modelo ''ambicioso'' para remover ''de forma substancial'' as barreiras aos produtos agrícolas.
Os cortes nas tarifas, segundo as empresas, devem ser de pelo menos 50%. O grupo das superpotências do setor privado ainda sugere que temas como investimentos, compras governamentais e concorrência não sejam objeto da agenda da OMC em Cancún e devem ser deixados para 2004. Para essas empresas, a falta de acordos sobre esses temas pode levar a reunião ao fracasso.
O interesse das grandes multinacionais pelas preocupações dos países em desenvolvimento, porém, não é por acaso. As empresas sabem que, para que a rodada da OMC seja concluída de forma a liberalizar também o setor de bens industriais e serviços, a abertura agrícola terá de ocorrer.

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