Multidão de miseráveis soma 25% da população do planeta
Multidão de miseráveis soma
25% da população do planeta
Arquivo FolhaCENA BRASILEIRAContraste entre pobres e ricos fica flagrante nos grandes centros urbanos: fosso cada vez maiorSe o número de pobres é uma boa medida do desenvolvimento humano, o Relatório sobre o Desenvolvimento Mundial (WDR) sugere que o mundo termina o século andando para trás. De acordo com as projeções apresentadas pelo estudo do Banco Mundial, o contingente de pessoas que vive na pobreza absoluta aquelas que subsistem com uma renda equivalente a menos de US$ 1 por dia continuará a aumentar. Essa multidão de miseráveis, que era de 1,2 bilhão em 1987, já soma hoje 1,5 bilhão, ou 25% da população do planeta, e deve chegar a perto de 2 bilhões no ano 2015.
A recente crise financeira da Ásia provocou o crescimento da pobreza mesmo nessa região, a única entre os países de renda baixa e média que vinha convergindo na direção dos países ricos. Usando o critério de US$ 2 de renda por dia, o WRD projeta uma aumento de quase 20% da pobreza na Tailândia entre 1997 e o ano 2000. Pelo critério de US$ 4 de renda diária, 50% dos russos e 60% das crianças russas vivem hoje na pobreza.
O alastramento do sofrimento humano traduz-se não apenas em aumento das desigualdades sociais dentro de países, mas numa ampliação do fosso que separa os países mais ricos, de um lado, e os países pobres ou os que estão entre os dois extremos, de outro. O quadro global do desenvolvimento é preocupante, informa o relatório. Segundo o documento, a renda média per capita do terço de países mais pobres e do terço logo acima, dos países médios, recuou nas últimas décadas em comparação com a renda média per capita no terço de países mais ricos, que começaram a crescer com maior velocidade em relação aos demais durante a Revolução Industrial, em meados do século passado.
No caso das nações da faixa intermediária, na qual se encaixa o Brasil, o PIB per capita caiu de 12,5% para 11,4% da renda dos países mais ricos entre 1970 e 1995. O declínio dos mais pobres foi ainda mais acentuado, no mesmo período de 3,1% para 1,9%. De acordo com uma estimativa recente citada pelo WDR, a relação entre a renda dos países mais ricos e mais pobres aumentou seis vezes entre 1870 e 1985. Esses dados são motivo de grande preocupação, pois eles mostram quão difícil é para os países pobres diminuir a distância que os separa das nações mais ricas.
Para complicar ainda mais o cenário, o estudo constata que, tipicamente, para os mais pobres, a reversão da desigualdade dentro de cada país não ocorre necessariamente em paralelo com o aumento do nível de renda. Além disso, o crescimento médio no longo prazo projetado para as nações em desenvolvimento está abaixo do mínimo de 3%, considerado como pré-requisito para o sucesso de políticas de redução da pobreza. Entre 1995 e 1997, apenas 21 países 12 dos quais na Ásia estavam acima desse nível. Entre as 48 nações mais pobres, apenas 6 registraram crescimento superior a 3%.
Os progressos feitos nas áreas da educação e da saúde e a redução das disparidades de gênero (a relação entre meninas e meninos na escola secundária aumentou de 70 para 100 para 80 para 100 entre 1980 e 1993 no conjunto das nações em desenvolvimento) ilustram os ganhos de duração de qualidade de vida alcançado por bilhões de pessoas pobres. (P.S.)





