A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) estuda uma forma de incluir a multa sobre as contas de energia elétrica no cálculo da inflação medida pelo IPC-Fipe na cidade de São Paulo. A multa incidirá sobre as contas dos consumidores que não conseguirem reduzir o consumo de energia durante o racionamento, previsto para começar em junho.
De acordo com o coordenador da pesquisa de preços da Fipe, Heron do Carmo, se o racionamento se estender para além do mês de novembro, os indicadores de inflação ao consumidor, inclusive o IPCA do IBGE, que estabelece a meta de inflação do Banco Central, terão de incorporar na sua estrutura este gasto adicional. ‘‘A forma como se dará essa inclusão no IPC é o grande problema, já que todo indicador de inflação toma como base uma Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), que funciona como uma espécie de constituição para as entidades que calculam os indicadores de inflação’’, disse Heron. Ele lembra que não há mais tempo para se fazer uma nova POF.
Segundo o economista, até agora a questão da multa não ficou muito clara. Mas ele ressalta que até novembro os institutos de pesquisas poderão suportar esse peso adicional, já que com sua saída no mês seguinte todo o impacto sobre a inflação é devolvido, o que impedirá a meta inflacionária de ser alterada. ‘‘O meu medo é que tudo que no Brasil vem em caráter temporário acaba se tornando definitivo’’, disse Heron.
Na avaliação dele, essa multa representa ‘‘um imposto absurdo porque se aproveita de um momento de crise para tirar dinheiro da população’’.

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