O perfil do consumidor de orgânicos endossa o potencial do mercado. De acordo com o pesquisador Moacir Darolt, que trabalha para o Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR) e é membro da Associação de Consumidores de Produtos Orgânicos do Paraná (ACOPA), a maioria dos consumidores de orgânicos é de mulheres (66%), com nível superior (60% a 75%) e com idade entre 31 e 50 anos (62%). Cerca de 58% frequentam semanalmente uma feira orgânica. Apresentam, em geral, boa renda familiar (47% ganham mais de 15 salários mínimos ao mês).
Mas mesmo com todo o potencial evidenciado principalmente pelo poder de compra, o segmento não deve apresentar crescimento em 2003. A regulamentação da produção, venda e publicidade de produtos, em especial os fitoterápicos e complementos nutricionais, deve emperrar sua comercialização. ''O Ministério da Saúde está exigindo a retirada de campanhas publicitárias do ar pois alega que o consumidor não pode ser induzido a pensar que terá a cura de doenças com o uso desses produtos'', explica o diretor do Insituto Gauer, que produz complementos nutricionais, Rafael Navarrete, ressaltando que o Brasil é o único País do mundo onde não existe a classificação ''nutracêutico'', que deveria ser utilizada para esse fim.
Segundo Paulo Raphael Nonino, da Herbarium, a burocracia enfrentada pelo setor deve fazer com que os números de 2002 sejam somente mantidos em 2003. ''A legislação não era clara e muitas indústrias acabaram saindo do mercado''. Ainda segundo Nonino, a Associação Brasileira das Indústrias de Fitoterápicos já encaminhou um projeto de lei para o Ministério e a situação deve se regulzarizar até o final do primeiro semestre de 2004.

mockup