O desemprego aumentou mais entre as mulheres do que entre os homens em 1997, conforme pesquisa da Fundação Seade na Região Metropolitana de São Paulo. O desemprego feminino cresceu 6,4% e chegou a 18,3% no ano passado, enquanto entre os homens a taxa foi de 14,2%, com um acréscimo de 5,2% em relação ao ano anterior. Mas, ao contrário do que parece à primeira vista, o desemprego entre as mulheres aumentou justamente porque cresceu a presença feminina no mercado de trabalho.
A taxa de participação (número de pessoas trabalhando ou procurando emprego) na população em idade ativa (maior de 10 anos) passou de 50,2% em 96 para 50,5% no ano passado entre as mulheres. Entre os homens, a participação caiu de 74,5% para 73,9%. ‘‘Esse crescimento foi motivado pela maior oportunidade de emprego entre as mulheres, que geralmente acabam aceitando vagas com menor remuneração’’, diz a diretor de Análise Socioeconômica da Fundação Seade, Felícia Madeira.
Além disso, no ano passado caiu a oferta de emprego em áreas tradicionamente ocupadas por homens, como indústria e construção civil. Ao mesmo tempo, aumentaram as vagas no setor de serviços, onde as mulheres têm mais chances. ‘‘Há uma relativa estabilidade no número de postos ocupados por mulheres e uma redução nos empregos masculinos’’, diz a economista Paula Montagner, pesquisadora do Seade.
Os rendimentos da mulher trabalhadora ainda são inferiores aos dos homens, mas essa diferença está diminuindo com o aumento da participação feminina nos cargos mais qualificados. Analisando apenas o salário mensal, as mulheres recebem em média apenas 60% do salário dos homens.
Considerando o pagamento por hora, no entanto, essa proporção sobe para 73%. Paula Montagner diz que o estudo não permite afirmar, no entanto, que as mulheres ganham menos do que os homens ocupando os mesmos cargos.

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