Apesar de as mulheres que trabalham terem mais instrução do que os homens, seus salários são muito menores. Entre as trabalhadoras, 30% completaram o segundo grau, enquanto 21% dos homens empregados têm o mesmo tempo de estudo. No entanto, a média de salário das mulheres é equivalente a 67,3% da média de remuneração dos homens. Os dados foram levados ontem ao painel sobre mulher brasileira do 12º Fórum Nacional, do Instituto Nacional de Altos Estudos, pela presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Maria Sílvia Bastos Marques.
Números do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revelam que, ano passado, a média salarial de homens era de R$ 615,50 e das mulheres, R$ 414,39. A diferença já foi maior. Em 1993, os homens ganhavam em média R$ 595,96 e as mulheres recebiam o equivalente a 61,4% deste valor (R$ 335,36).
A executiva lembrou que as trabalhadoras são 41% da população economicamente ativa do Brasil e que um quarto das famílias brasileiras é chefiada por mulheres. ‘‘As mulheres não exercem funções compatíveis com sua formação, ocupam postos mais precários e têm menor remuneração’’, afirmou Maria Sílvia. ‘‘Somos exceção’’, completou, em uma mesa formada também pela vice-governadora do Rio, Benedita da Silva, a candidata do PT à prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, a deputada Yeda Crusius (PSDB-RS) e várias pesquisadoras de temas ligados à mulher.
Maria Sílvia revelou, porém, que cada vez mais tem recebido pedidos de indicações de mulheres para cargos em empresas. ‘‘Tem pessoas que só querem contratar mulheres.’’ ‘‘A mulher é mais intuitiva, mais agregativa, tem capacidade de lidar com várias situações e estas vantagens estão sendo percebidas no mercado de trabalho’’, comentou a presidente da CSN.
As tabelas apresentadas por Maria Sílvia à platéia, formada quase totalmente por mulheres, mostravam que elas estão em desvantagem em vários itens pesquisados. Enquanto 5,2% dos homens que trabalham são empregadores, o percentual de mulheres é de apenas 2,3%. Trabalham por conta própria 27,4% dos homens e 16,1% das mulhres. São empregados domésticos apenas 0,8% dos homens empregados e 16,9% das mulheres economicamente ativas.
Segundo Marta Suplicy, na política as diferenças também são enormes. No Congresso Nacional, apenas 7% dos parlamentares são mulheres. Há ainda 95% de prefeitos, 85% de vereadores e ‘‘100% de ministros’’, comentou a petista.

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