Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 1976 e 2002, 25 milhões de mulheres ingressaram no mercado de trabalho. Hoje elas representam mais de 43% da população economicamente ativa. Ainda segundo o IBGE os indicadores revelam que no Brasil a mulher ocupada apresentou, em 2003, em média cerca de 1 ano a mais de estudo do que os homens. Mesmo com esse avanço, as mulheres, conforme dados do instituto, ainda recebem, em média, 30% a menos do que os homens para exercerem a mesma função.
Segundo a administradora da empresa P.Caetano Contadores e Consultores, de Londrina, Gabriella Meneguete, as mulheres precisam vender melhor sua imagem. ''Ainda há muita discriminação e em parte a falha é da própria mulher. Nós precisamos nos expor mais profissionalmente'', diz Gabriella que comanda uma equipe formada por 23 funcionários, 13 deles mulheres. No segmento de contabilistas, segundo ela, está crescendo muito a participação das mulheres, mas a maioria ainda é em nível operacional.
Conforme dados do Conselho Regional de Contabilidade (CRC-PR) no Paraná existem 9.181 contabilistas credenciados, sendo 4.324 mulheres.
O número de mulheres nos cargos de gerência ainda não é tão representativo'', avalia Gabriella. Ela comenta que há vários fatores que influenciam a ascensão das mulheres aos cargos de chefia. ''Há uma falta de cultura gerencial ainda entre nós. As mulheres também têm dificuldade em se unir e em vez de participarmos mais das decisões, ficamos no nosso canto intimidadas. São situações que nós precisamos reverter'', afirma. Segundo ela os homens, no meio contabilista, ainda não se sentem confortáveis quando são subordinados a mulheres.
''Empresários que ainda pagam menos para mulheres que exercem as mesmas funções que os homens com certeza estão perdendo dinheiro'', afirma o presidente do Sescap-Ldr, José Joaquim Ribeiro. Segundo ele o capital intelectual é o que de melhor as empresas têm e os empresários não podem abrir mão disso por preconceito.
A administradora do Escritório Comercial Contad, de Londrina, Clariza Ribeiro, vê muitas vantagens na contratação de mulheres no setor de contabilidade. ''A contabilidade é uma atividade muito detalhista e a mulher é detalhista. Ela até, algumas vezes, demora um pouco mais para executar um serviço, porém o número de erros é menor. Além disso, a mulher é mais cuidadosa e dócil e cativa mais os clientes'', afirma Clariza. Ela também concorda que os homens do segmento têm dificuldade em aceitar o comando da mulher. ''A mulher, enquanto funcionária, é mais fácil de ser comandada. Os homens são um pouco mais difíceis'', alega. No escritório Contad são 23 funcionários, sendo 17 mulheres.

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