O franchising começou como um verdadeiro ‘‘Clube do Bolinha’’, um mercado apenas para franqueados homens. Hoje, as redes começam a investir cada vez mais na conquista das mulheres.
E não existem opções apenas em ramos tradicionais, como o de confecção, doces e serviços domésticos. É possível encontrar franquias de conveniência postal e até de restauração de ambientes.
Mesmo em fast food, em que há concentração de comando pelo sexo masculino, as mulheres têm conquistado espaço, diz a vice-presidente da Mister Pizza e presidente da Associação Brasileira de Franchising-Rio (ABF), Eliane Bernardino. ‘‘Mas, como as lojas fecham bem tarde, há problemas com a conveniência de horários para a mulher’’, afirma.
Dos 94 franqueados da Mister Pizza, apenas 10 são mulheres. O motivo, segundo Eliane, é que ainda há concentração de capital. ‘‘A maioria dos homens tem mais dinheiro do que as mulheres.’’
Para contornar a falta de dinheiro, alguns maridos arcam com a compra da franquia. Na rede de ensino de computação Computertots, é comum o marido adquirir a marca e deixar a mulher cuidando do negócio.
Para Eliane, é boa estratégia contar com o auxílio de familiares. ‘‘Muitas mulheres ficam bastante tempo fora do mercado, aí fica difícil encontrar um bom emprego’’, comenta.
Foi o que ocorreu com a psicóloga Maria Antonieta Carnelosa, que se tornou franqueada dos Correios há três anos e meio. ‘‘Parei de trabalhar enquanto meus filhos eram pequenos e, quando quis voltar, meu currículo estava defasado e o mercado ruim’’, diz.
Fica mais fácil contar com a estrutura do franqueador do que aventurar-se sozinha num negócio próprio. No entanto, abrir sua franquia significa, no primeiro ano, abrir mão de noites livres, conta Maria.
Eliane entende que, antes de visitar os franqueadores, é preciso estudar o franchising e conhecer os ramos de atuação. ‘‘Todo mundo pensa em comida e vestuário, mas há outros 22 ramos.’’Mãe e filha comandam
negócio em parceria





Quem comprou a franquia da Vijusa, há três anos e meio, foi o pai, Silas Velloso. O comando dos negócios, porém, está a cargo da filha Katya Velloso e da mãe, Neusa Maria Velloso. ‘‘Ele nunca administrou a empresa, apenas investiu R$ 4 mil na aquisição’’, conta Katya.
Pela divisão do trabalho, Katya é responsável pelo setor comercial. Sua mãe cuida da administração. Há também uma vendedora, que auxilia na comercialização de 38 itens de limpeza industrial, doméstica e empresarial.
Anteriormente, a filha havia trabalhado na área de marketing. Já a mãe tinha experiência no ramo de seguros. ‘‘O maior desafio ao montar seu negócio é ter de conquistar novos clientes’’, diz Katya.
Os compradores dos produtos da franquia são na maioria pequenos empresários, como proprietários de motéis, restaurantes e hotéis.
Para atrair grandes empresas, diz Katya, é necessário abrir uma loja. Por enquanto, existe apenas um escritório, onde há a coordenação de duas regiões de atuação, em São Paulo: Moema e Ipiranga.
O faturamento mensal fica em torno de R$ 15 mil. Mas existe forte sazonalidade. ‘‘No período de férias, os pedidos diminuem muito’’, afirma. Uma vantagem de atuar nesse segmento, conta Katya, é a baixa inadimplência, que não ultrapassa 2% das vendas.
A empresária acha que, por ser do sexo feminino, leva vantagem. ‘‘A mulher é mais paciente ao cativar o cliente’’, comenta. É que, além das vendas, o objetivo da franquia é modificar hábitos de limpeza do consumidor.Dicas para identificar
as ofertas ‘duvidosas’

Quem optar por uma franquia nova precisa tomar cuidados. É que a maioria dos franqueadores iniciantes acaba abandonando o segmento nos primeiros anos. O livro Franchising, o Caminho das Pedras, da Editora Cherto, mostra, por exemplo, que apenas 25% dos novos franqueadores norte-americanos novatos continuaram no setor, após dez anos. Nos primeiros quatro anos, 57% das empresas já haviam abandonado o mercado.
Embora a publicação leve em conta o mercado dos EUA, entre 1983 e 1993, a diretora da Cherto Franchising, Mirian Senoi, comenta que ela reflete também a tendência da franquia brasileira.
São três os motivos que levam uma empresa a franquear: para ampliar a capacidade financeira de expansão ou de talentos no gerenciamento de unidades; reduzir os custos da administração direta; e diminuir os riscos da operacionalização de pontos de venda, tentando, também, elevar a lucratividade.
Para aumentar a rentabilidade da rede, a Casa das Calcinhas decidiu entrar no ramo de franchising, após a abertura de 32 lojas próprias, explica o sócio Rafael Deieno Jr. ‘‘Com os gerentes, as lojas não rendem tanto quanto se o dono estivesse lá.’’
Mas, como é difícil para o candidato a franqueado verificar, num primeiro momento, as chances de sucesso de uma franquia, vale a pena comparar as diferenças entre os franqueadores norte-americanos que sobreviveram e os que desistiram, após dez anos.
Os sobreviventes foram os que estavam há mais tempo no mercado - na época da concessão de franquias -, com média de cinco anos de atividade. As empresas não-sobreviventes haviam sido fundadas há três anos. A escolha deve recair, portanto, naquela com maior experiência.
Além disso, enquanto o primeiro grupo tinha, em média, 11 lojas próprias, o segundo contava com apenas 1. É que o franqueador com maior número de lojas, na verdade, já testou seu negócio. Embora as franquias mais baratas atraiam mais interessados, os franqueadores que cobraram inicialmente as maiores taxas de franquia são os que continuaram no setor, após dez anos. ‘‘A tendência é de que a rede ofereça melhor apoio, no dia-a-dia do negócio’’, afirma Mirian.

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