O plano de desenvolvimento regional, que tem como âncora um aeroporto internacional de cargas na Zona Sul de Londrina, foi tema de debate do Fórum Feminino em Apoio ao Arco Norte. Cerca de 150 pessoas, a maioria mulheres, participaram ontem do encontro que aconteceu no Parque Ney Braga e fez parte da programação da 52 ExpoLondrina.
A apresentação do projeto foi feita pelo consultor Marcelo Mafra, que coordena as iniciativas do Arco Norte no âmbito da iniciativa privada. Antes da palestra, a presidente do Instituto AKY, Kimiko Yoshii, fez uma convocação: ''Vamos à luta. Não podemos ficar esperando que o governo olhe para o Norte do Paraná''.
Alguns fatores, de acordo com Mafra, provam a viabilidade do projeto que envolve Londrina, Assaí, Jataizinho, Ibiporã, Cambé, Rolândia, Arapongas e Apucarana. ''Estamos numa posição privilegiada, no entroncamento das regiões Sul e Sudeste, que respondem por 70% do mercado nacional'', afirmou, destacando a proximidade com países do Mercosul. Mafra lembrou que uma equipe da Aeronáutica visitou todos os aeroportos do Norte do Paraná e concluiu que nenhum tem capacidade para ser ampliado. ''Mas apontou a área da Zona Sul como ideal para um novo aeroporto'', disse.
As obras de infraestrutura rodoviária previstas para o projeto, segundo Mafra, somam R$ 3,5 bilhões. O valor do estudo de viabilidade que precede a execução do projeto não foi divulgado. A Lufthansa Consulting já apresentou um orçamento - estimado em cerca de R$ 1 milhão - que está sobre a mesa do prefeito Barbosa Neto (PDT). O consultor explicou que a governança do projeto tem dois pilares: o Consórcio Intermunicipal formado pelas prefeituras dos municípios envolvidos e a Sociedade de Propósito Específico (SPE) criada pela Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) e pela Sociedade Rural do Paraná (SRP).
Ambientalistas
Pela primeira vez, os coordenadores do projeto enfrentaram a oposição de pessoas contrárias à construção do aeroporto de cargas na Zona Sul, próximo à Mata dos Godoy. A gerente do Parque Estadual da Mata dos Godoy, Leliana Casagrande Luiz, defendeu o aeroporto em outro local. ''Vamos implementar um aeroporto em cima de uma área de conservação e do manancial que abastece Londrina e Arapongas?'', questionou.
Apresentando-se como amiga da família Godoy, Norma Nasser Gardenn também discordou da localização da obra. ''Se a gente chega perto de um animal ele já foge, imagine com aviões passando por cima da mata'', criticou. Marcelo Mafra rebateu dizendo haver tecnologia e ''know how'' para implantar o projeto de forma sustentável mesmo perto da mata, que não foi ''menos valorizada''. O ponto mais próximo do aeroporto em relação à mata é de um quilômetro. O Fórum Feminino em Apoio ao Arco Norte foi promovido pelo Conselho da Mulher Empresária, pelo Instituto AKY (A.Yoshii), e pela Coordenação da Região Metropolitana de Londrina (Comel).

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