A arquiteta Anna Carol Assunção abandonou a profissão e encontrou na web a possibilidade de aliar o trabalho em casa com os cuidados da filha Isadora
A arquiteta Anna Carol Assunção abandonou a profissão e encontrou na web a possibilidade de aliar o trabalho em casa com os cuidados da filha Isadora | Foto: Gustavo Carneiro



A presença feminina no empreendedorismo está cada vez mais forte. De 515 mulheres entrevistadas em pesquisa encomendada pelo PayPal, 46% são empresárias. Sobre os motivos para empreenderem, a maioria deseja complementar a renda (21,4%), ganhar mais dinheiro (14,4%) ou conquistar a independência financeira (11,3%). Mas um dado que chama a atenção é que, das mulheres que já são empresárias, 75,5% se dedicam exclusivamente ao e-commerce. Além disso, do total, 21% dizem ainda que pretendem abrir uma loja virtual e 25%, além de pretenderem abrir um e-commerce, já iniciaram o planejamento do negócio.
"A mulher quando começa a empreender tem um sonho, que na verdade é uma ilusão. Ela acha que vai poder trabalhar menos e se dedicar mais à família. A maioria das mulheres começa a empreender menos pelo sonho e mais porque precisa ter uma renda complementar e que lhe dê a liberdade de cuidar da família também", comenta Gabriela Szprinc, head de Pequenas e Médias Empresas (SMB) do PayPal Brasil.
Segundo ela, a ideia de que empreender proporciona mais tempo com a família é uma ilusão porque exige dedicação e tempo. Em média, demora de três a cinco anos para que um negócio tenha sucesso, diz Gabriela. O e-commerce, nesse sentido, é uma ferramenta que pode ajudar as mulheres a empreenderem. As mulheres podem gerenciar o negócio de casa e o investimento inicial, nesse caso, é menor porque dispensa a necessidade de alugar um imóvel, por exemplo. É uma alternativa interessante para quem está começando a acreditar em seu sonho, mas ainda não tem certeza de que o negócio realmente vai dar certo. "Ela consegue começar a colocar o seu negócio em pé sem a necessidade de um investimento considerável, e gerenciar melhor o seu tempo, ter mais liberdade."
Quando teve problemas de saúde, em 2009, a arquiteta Anna Carol Nascimento Assunção teve de deixar a profissão e aproveitou para passar mais tempo com a filha, Isadora (sete anos), que havia acabado de nascer. Foi então que ela resolveu colocar na internet uma atividade que já realizava no mundo físico: a venda de produtos femininos, como relógios de pulso diferenciados, com pulseiras de pérolas e pedras. Anna então chamou a irmã, Samara, para empreender junto com ela. Bancária, Samara também passava pouco tempo com a filha, hoje com seis anos, e resolveu se lançar na ideia. "Eu estava infeliz tendo que trabalhar e cuidar de criança ao mesmo tempo", conta a bancária, que reside em São Paulo. Assim, nasceu a loja virtual Amou Amei.
"Conseguir conciliar trabalho e cuidar das filhas foi o que nos levou à internet", dizem as irmãs. "Se fosse uma loja física, nunca teríamos essa possibilidade." Hoje, Samara tem mais uma filha, de três anos. Ambas com filhas, as irmãs empreendedoras se especializaram no universo de menina. Tanto que, agora, o produto que é carro-chefe do site é a cauda de sereia, uma espécie de cobertor em formato de rabo de sereia que já foi adquirido até por artistas famosas. A produção é própria. As empreendedoras contam que produtos para meninas vão passar a ser o foco do site, que já consegue prover receita a ponto de as irmãs poderem se dedicar apenas ao e-commerce.

Imagem ilustrativa da imagem Mulheres empreendedoras têm presença forte no e-commerce



Oportunidade
Gabriela Szprinc, do PayPal, observa ainda que o e-commerce é uma oportunidade para mulheres que não estavam inseridas no mercado de trabalho. "Existem mulheres empreendedoras com mais de 50 anos que estão se descobrindo no e-commerce." dentre as mulheres pesquisadas no estudo encomendado pela empresa, 8,9% disseram que estavam fora do mercado de trabalho quando resolveram empreender.
E aquelas que pretendem se aventurar no comércio on-line podem apostar nos mais diversos segmentos, assegura a head de SMB. Das empreendedoras entrevistadas na pesquisa do PayPal, 20% têm comércio de artesanato, 18% de cosméticos e produtos de beleza em geral, 15% de roupas, apenas para citar alguns segmentos. Apesar de na internet não haver contato físico com o produto, Gabriela ressalta que, hoje, já é possível comercializar de tudo pela web. "Tenho clientes que exportam comida para Países da América Latina. Quando a gente sonha, o céu é o limite."

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