Sertãozinho - As luvas grossas, rígidas o suficiente para segurar grandes peças de caldeiras, escondem unhas bem feitas e pintadas. O calor da solda pede ao rosto a proteção de um creme hidratante. Com delicadeza, mulheres tem ocupado a área da metalurgia voltada ao setor sucroalcooleiro em Sertãozinho (SP), um setor que sempre se restringiu aos homens.
Hoje, já há 300 mulheres entre os 13 mil metalúrgicos na cidade, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Sertãozinho, Ribeirão e região. Elas têm se destacado principalmente como soldadoras, inclusive de máquinas pesadas como caldeiras, mas elas já ocupam vagas também no torno mecânico.
''Na solda, as indústrias estão constatando um resultado muito positivo com as mulheres. Sem desmerecer os homens, elas têm uma certa delicadeza e cuidado que exige um trabalho de soldagem'', disse o presidente do sindicato, Hélio Antônio Cândido.
São mulheres da nova safra de trabalhadoras como Andréia Felipe, 32. Ela decidiu largar a faculdade de matemática para se tornar soldadora. E explica porque escolheu um ofício que requer muito detalhe. ''Sou ciumenta com minhas coisas e muito caprichosa. A solda na metalúrgica tem que ter esse capricho.''

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