Mulher toma até 85% das decisões financeiras das famílias
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sábado, 17 de novembro de 2012
Fábio Galiotto <br> <br> Reportagem Local 
O instituto Data Popular divulgou uma pesquisa que mostra que são elas, as mulheres, quem dão a última palavra, também, quando o assunto é planejamento financeiro. Segundo o levantamento, o juízo feminino é responsável por 85% das decisões no supermercado, 78% sobre viagens de família, 72% sobre o que o marido vai vestir, 62% na compra de um carro e 53% na aquisição de um computador. Com a ampliação do número de mulheres no mercado de trabalho, elas ganharam ainda mais voz e deram um novo sentido à condição de ''dona de casa''.
A mulher ficava mais presa aos cuidados com o lar enquanto cabia ao marido sustentar a família até os anos de 1970, mas a necessidade de maior renda e a busca pela igualdade com o homem a levou ao mercado de trabalho. Sócio-diretor do Data Popular, Renato Meirelles lembra ainda que muitas delas ainda são chefes de família. ''Como a mulher geralmente é quem administra as despesas domésticas, ao ajudar diretamente no pagamento dessas ela ganhou voz muito maior dentro de casa'', afirma.
O consultor financeiro Thiago Terzoni, da Terzoni Consultoria Empresarial, diz que elas ganharam mais poder em escala diretamente proporcional à maior participação delas na renda familiar. ''Aumentou o número de mulheres casadas que contribuem para o orçamento da casa e aumentou o valor com que contribuem'', diz.
Terzoni não acredita que o homem delegue a função à companheira, mas que ela esteja mais atenta às necessidades domésticas. Tanto que a pesquisa, feita em 53 cidades com 2.006 pessoas, revela que 63% deles dizem que as mulheres conferem a conta do banco e sabem quanto eles ganham, 78% mudam de opinião para evitar conflitos e 77% têm certeza de que a companheira mantém dinheiro guardado escondido. Para Meirelles, são exemplos de como são elas que mandam. ''Ela define, muitas vezes, até a cueca do marido.''
Meireles conta que a entrada no mercado de trabalho formal deu maior poder à mulher, que está com a autoestima elevada. De acordo com a pesquisa, o número de mulheres no País aumentou 13% em dez anos, enquanto a quantidade de trabalhadoras com carteira assinada foi ampliada em 59%.
Para o diretor do Data Popular, a estabilidade econômica e o fim da hiperinflação facilitaram o acesso ao crédito e a formalização dos empregos. ''Esse novo cenário possibilitou que a mulher investisse mais em educação e pudesse concorrer às vagas oferecidas'', afirma.
Porém, Terzoni lembra que tanto homens quanto mulheres ainda precisam aprender a lidar com as finanças do lar. Ele sugere que busquem cursos sobre orçamento doméstico, que costumam ter pequena duração, e que reúnam informações quando o objetivo for um financiamento ou aluguel de imóvel, por exemplo.
Foco nelas
O diretor do Data Popular afirma que as empresas precisam se atentar para o poder de decisão feminino na hora de se comunicar com os clientes. Para ele, como é a mulher que decide grande parte das compras da casa, tornou-se uma consumidora exigente. ''Ela preza o custo benefício e não se importa de pagar um pouco a mais em um produto se for sinônimo de qualidade. As empresas têm que abrir o olho para isso.''



