Mulher negra sofre dupla discriminação
A desigualdade de renda entre negros e brancos que trabalham é muito maior do que a diferença entre homens e mulheres ocupados. Levantamento sobre salário por hora trabalhada feito pelo IBGE mostra que a remuneração média das mulheres é 19% menor que a dos homens.
Já o salários dos negros e pardos é 51% menor que o dos brancos. A população branca ocupada recebe em média R$ 6,52 por hora. Para os da raça negra ou pardos, são R$ 3,18 por hora. Os homens negros e pardos recebem R$ 3,45 por hora, 40% a menos que mulheres brancas, que têm remuneração de R$ 5,69 por hora.
''Dizem sempre que as mulheres ganham menos que os homens, mas a tese vale desde que as mulheres não sejam brancas e os homens não sejam negros e pardos'', afirma o pesquisador do IBGE Cimar Azeredo Pereira, gerente da PME.
''A mulher negra é duplamente discriminada'', observa o pesquisador Alexandre Pinto, que prepara dissertação de mestrado sobre desigualdades entre grupos de raças. A PME mostra que a trabalhadora negra ou parda recebe apenas R$ 2,78 por hora, em média. Na região metropolitana de Recife, as negras e pardas ocupadas têm remuneração de apenas R$ 2,26 por hora.
Quanto mais altos os salários da população ocupada, menor é a participação dos negros e pardos na faixa de renda. Quase 64% dos negros e pardos que trabalham recebem no máximo dois salários mínimos mensais, enquanto entre os brancos são apenas 39%. Entre os negros e pardos, apenas 1,7% está na faixa de mais de dez salários mínimos ou mais, enquanto o índice é de 10,6% entre os brancos.
Em relação à escolaridade, os números mostram a maior dificuldade de acesso dos negros não só à escola formal, mas também à qualificação profissional. No universo de pessoas em idade ativa, 13,4% frequentam ou já frequentaram algum curso profissionalizante - 14,7% entre os brancos e 11,7% entre negros e pardos. Na população em idade ativa, apenas um quarto dos negros e pardos nas seis regiões metropolitanas conseguiu concluir o ensino médio, enquanto entre os brancos o número alcança 43%. No outro extremo, estão 6,7% de negros e pardos sem nenhuma instrução, contra apenas 3,7% de brancos. (L.N.L./AE)





