Muito além das transações imobiliárias
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terça-feira, 25 de agosto de 2009
Eli Araujo<br> Reportagem Local 
A exemplo do que acontece com a maioria dos corretores de imóveis, esta não é a profissão original de Carla Salina Weffort, que foi empresária durante muitos anos e trabalhou em empreendimentos da própria família. Ela se formou em Fonoaudiologia, fazia pós-graduação em São Paulo e precisava desenvolver uma atividade para conciliar os estudos e custear as viagens. Carla entrou no ramo imobiliário por influência de uma amiga e não precisou muito tempo para se apaixonar pela profissão. ''Comecei a trabalhar apenas alguns dias da semana, fui me identificando e em três meses resolvi que esta era a carreira que queria seguir; e hoje não me vejo fazendo outra coisa''.
Assim que se decidiu, Carla fez um curso específico para atuar na área e obteve o registro no Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci), necessário para o exercício da profissão. No entanto, segundo ela, isso só não basta e a busca por conhecimentos correlatos - tais como vendas e marketing - é uma necessidade. ''O profissional que não é qualificado, que não faz uma leitura de sua atividade e que não se mantém atualizado, não tem espaço para trabalhar'', afirma.
O corretor de imóveis, mesmo vinculado a uma imobiliária, é um trabalhador autônomo, ou seja, recebe um percentual sobre o que vende, seguindo uma tabela do sindicato da categoria. Na opinião de Carla, o bom resultado do trabalho não está no volume de negócios e sim na qualidade daquilo que faz. O corretor pode atender dez ou mais clientes por semana e fechar pelo menos um negócio neste período, mas há situações em que apenas a venda de um ou dois imóveis de alto padrão corresponde ao resultado de um ano de trabalho. ''O corretor que está comprometido, que realmente se dedica, consegue bons resultados; a profissão abre um leque muito grande em termos de retorno financeiro. O mercado é muito promissor'', reconhece.
Por isso, Carla não concorda com a idéia de que o corretor trabalha pouco e ganha muito. Ela explica que o nível de exigência vai muito além da simples venda do imóvel a um cliente. ''A primeira coisa é identificar a necessidade da pessoa e direcioná-la para aquilo que atenda a estas necessidades, e isso a gente consegue conversando com toda a família. O corretor deve fidelizar o cliente, prestar assessoria nos negócios e ajudá-lo nas decisões. Por isso, é preciso conhecer bem o mercado''.
A corretora relaciona alguns requisitos que considera essenciais para o exercício profissional: ter uma boa comunicação e facilidade de lidar com o público em geral, ser persistente, cruzar informações entre aquilo que o cliente deseja e o mercado oferece, ter conhecimento do mercado imobiliário como um todo, e entender um pouco de arquitetura e engenharia para responder às curiosidades técnicas dos clientes.
Carla reconhece que cada pessoa tem seu próprio jeito de trabalhar, mas aponta um detalhe que faz toda a diferença. ''A ética é fundamental em nossa atividade. Tem profissionais que não respeitam as pessoas, que sabem que você está atendendo um cliente e atravessam, o que é muito ruim. A ética é muito importante, não apenas em nossa área, mas em qualquer área''.


