Muffato critica 'tratamento de marginal'
Paulo Pegoraro
O empresário Pedro Muffato (foto), 57 anos, dono do grupo Muffatão, disse ter se sentido tratado como um marginal com a ação da fiscalização da Receita Estadual, na tarde de ontem, em dez estabelecimentos da rede (incluindo a administração), nas cidades de Cascavel (sede), Londrina, Maringá e Foz do Iguaçu. Mobilizaram cem fiscais de Curitiba, acompanhados de grande número de policiais, e em alguns locais eles sequer se identificaram, interditando tudo, relatou Pedro, que é ex-prefeito de Cascavel e também diretor-presidente da TV Tarobá e TV Londrina (Rede Bandeirantes).
O empresário falou por telefone com o governador Jaime Lerner (PFL) para manifestar seu protesto. Segundo ele, o governador disse que havia sido informado de que haveria uma operação em todo o Estado, dentro do trabalho normal da Receita, mas teria observado que a maneira como ela foi executada teria sido exagerada. Depois, Muffato recebeu telefonema do secretário Giovani Gionédis, que afirmou haver denúncias e gravações de telefonemas grampeados, de uma empresa de informática fornecedora do Muffatão, indicando a existência de irregularidades na rede.
Muffato lembrou que apenas em Cascavel atua há 35 anos. Já sofri várias fiscalizações, e até mesmo autuações eventuais, o que é normal. Mas nunca imaginava que chegassem a este ponto. Segundo ele, nenhuma oposição seria oferecida à fiscalização, mas a maneira como ela foi feita foi brutal, disse. Os funcionários e os clientes dos supermercados ficaram assustados, e o funcionamento foi impedido durante cerca de 1h30. Depois, os fiscais liberaram os caixas, mas lacraram outros equipamentos, inclusive computadores, e levaram alguns, para perícia.
O empresário observou que seria mais coerente a ação ter sido realizada ao final do expediente e com civilidade. Ele admite que, eventualmente, até poderia ser encontrada alguma irregularidade não proposital de nossa parte. Muffato insistiu em frisar que o tratamento às suas empresas foi o que deveria ser dado apenas a marginais, e lembrou que o grupo gera 1,5 mil empregos e volumosos tributos. Pedro Muffato revelou que, no telefonema ao governador, não foi mais incisivo no protesto por estar abalado psicologicamente, e quase chorando, tamanha minha surpresa, decepção e indignação.





