Mudanças no setor energético deixam o mercado em dúvida
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domingo, 27 de janeiro de 2002
Agência Folha 
Brasília - A principal mudança anunciada pelo governo no que se refere à oferta de energia diz que as empresas públicas do setor ficam impedidas de entrar no mercado livre. A regra anterior previa que, a partir de 2003, todos os contratos de energia iam ter uma parcela liberada para negociação nesse mercado.
Mas existem muitas dúvidas sobre o que foi dito pelo governo, diz Gláucia Quinto, analista de renda variável da ABN Amro Asset Management.
Uma das principais dúvidas é com relação ao termo empresas públicas usado pelo governo ao fazer o anúncio. Os analistas não sabem se estarão inclusas nas novas medidas as empresas de energia estaduais, como Cemig, Copel e Cesp. Ou se a medida vale somente para a Eletrobrás, empresa de geração de energia 100% do governo federal.
Copel - Júlio Ziegelmann, diretor de renda variável da BankBoston Asset Management, diz acreditar que pode ser muito ruim para Cemig e Copel, que são geradoras estatais, se elas fizerem parte das novas medidas. Caso isso aconteça, pode ter um impacto no setor, já que essas duas empresas e a Eletrobrás respondem por uma boa fatia do mercado de energia.
As medidas, segundo analistas, não vão prejudicar as empresas de distribuição nem de transmissão. O plano de restruturação foi interpretado como uma forma de estatizar o setor.
Quem vai regular esse mercado deve ser a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), diz Marcos Paulo Pereira, analista da Socopa. O que gera insegurança porque pode ter redução de preço de energia, acrescenta.
Para Pereira, o maior problema é que essas medidas irão afastar o capital estrangeiro do país. Não devemos mais ter privatização de empresas de energia, diz.
Para o analista de energia Oswaldo Telles Filho, do banco BBV, não ficou claro como o governo vai colocar em prática as novas medidas. Os analistas já estavam trabalhando com um aumento de tarifas por conta do livre mercado, diz. Telles Filho afirma que com o fim do racionamento o setor começou a apresentar boas perspectivas no final de dezembro. Com o anúncio de agora, as dúvidas voltaram, diz.


