Mudanças exigem aumento de capital de giro das empresas
A Associação Comercial do Paraná (ACP) está otimista com as mudanças que o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) vai proporcionar, apesar de apontar alguns pontos que ainda não foram bem esclarecidos pelo Banco Central. Para analistas de mercado, o consumidor poderá sentir redução nos preços a médio prazo.
O presidente da ACP, Marcos Domakoski, diz que ainda é difícil saber como o comércio vai reagir, apesar de ele considerar fundamental o SPB. A maioria dos cheques recebidos é inferior a R$ 5 mil, mas grande parcela das contas pagas é superior a esse valor. Com certeza será preciso aumento no capital de giro, avalia. Mas ele afirma que as mudanças são essenciais para o fortalecimento do sistema econômico no Brasil. A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) ainda estava estudando na semana passada como as mudanças iriam impactar no setor.
Como grande parte das transações será liquidada no mesmo dia com o SPB, os correntistas que movimentam bastante as contas, como comerciantes, terão que atualizar a posição de caixa a todo instante, para não ter que pagar juros. O sistema atual permite que todos os débitos caiam na conta durante o dia, mesmo que ela fique negativa, e apenas no fechamento o correntista se preocupe em ter saldo.
O descasamento de contas de quem vende no varejo e compra no atacado pode ser um problema, segundo o analista de investimentos Marcelo Martenetz, mas ele acha que há meios de manter sempre as contas correntes no positivo. Basicamente deve se negociar com o fornecedor e os funcionários, afirma. Para ele, as adequações ao SPB não devem trazer aumento de custo. Não custa nada anotar em um caderno e fazer acompanhamento total das contas, diz. Ele também analisa que as transações instantâneas farão com que a inadimplência caia. O lojista que não está mais levando cano pode vender mais barato, destaca.
Segundo o chefe adjunto do Departamento de Operações Bancárias do Banco Central, José Antônio Marciano, as empresas devem aprender a negociar com os bancos. O comerciante deve verificar o fluxo de pagamentos. Mesmo que ele receba picadinho, o dinheiro estará entrando aos poucos. Ele pode programar uma saída maior de dinheiro em um dia específico. Pode, por exemplo, negociar com o fornecedor para combinar isso, explica.





