As novas regras do BNDES deverão ter impacto negativo no mercado de caminhões e ônibus novos. É que a linha de financiamento de bens de capital (Finame) passará a desincentivar veículos a diesel. Gradualmente, o BNDES vai reduzir a participação da TJLP no financiamento desses veículos. Para micros, pequenas e médias empresas, neste ano, os juros subsidiados continuarão a representar 80% do valor financiado. A participação baixa para 70% em 2018 e para 60%, em 2019. A diferença até 100% corresponderá à entrada ou a financiamento com taxas de mercado.
As grandes empresas terão ainda menos TJLP na composição do financiamento de veículos a diesel. A participação dos juros subsidiados baixa de 70% para 50% ainda neste ano, vai para 40% no ano que vem e a 30% em 2019.
Segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), 2016 foi o pior ano para o mercado de caminhões no Brasil. Foram emplacados apenas 50,2 mil veículos, 30% menos que no ano anterior. O número corresponde a menos de um terço dos 172 mil emplacamentos de 2011. Acostumada aos juros subsidiados nos governos dos ex-presidentes Dilma Rousseff e Luís Inácio Lula da Silva, a indústria brasileira de caminhões deverá pressionar o BNDES a rever a medida.
Procurada pela reportagem, a assessoria da Fenabrave disse nesta quinta-feira que desconhecia as alterações e, por isso, a entidade não poderia comentá-las. Já Fernando Xavier Mourão, da concessionária da Ford Caminhões, Konrad, de Maringá, disse ter sido pego de surpresa ao saber das mudanças pela FOLHA. "Eu vendi um caminhão hoje (quinta-feira) para uma grande empresa. No meu sistema, pelo BNDES, são 70% de TJPL. Se esta mudança já estiver valendo, o cliente vai desistir", lamentou.
Mourão disse que a notícia não poderia ter vindo em pior momento. O mercado, segundo ele, esperava uma recuperação para este ano. "As empresas compraram muito em 2011 e agora está na hora de renovarem a frota. Com essas condições (divulgadas pelo BNDES), não tem chance do mercado reagir", atestou.

PRAZO
A boa notícia é que o BNDES ampliou de cinco para dez anos o prazo do Finame, que também financia equipamentos agrícolas e todos os demais bens de capitais. O financiamento de máquinas e equipamentos passará a ter apenas três linhas: aquisição, produção e modernização. O novo Finame vai incorporar a antiga Finame Agrícola, enquanto a Finame Leasing foi extinto. (N.B. com Agência Estado)

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