A reforma educacional brasileira pode ser facilitada com a participação da iniciativa privada, para ampliar os recursos públicos. Especialistas em mercado de trabalho afirmam que é possível financiar a educação com títulos de longo prazo, com a criação leis de incentivos fiscais ou com benefícios para construção de escolas privadas que forneçam bolsas a alunos de baixa renda.
O economista Luciano D’Agostini diz que a iniciativa privada poderia apadrinhar o sistema educacional, como ocorre com a Lei Rouanet, na cultura. "Ou, se não tem capacidade de investir o PIB, pode formatar a emissão de títulos pelo Tesouro Nacional para angariar dinheiro e injetar na educação."
Para o professor de economia Joilson Dias, é preciso tornar as escolas parte da comunidade em que estão inseridas. Ele sugere incentivos para a instalação de colégios particulares semelhantes aos dados a empresas, desde que ofereçam contrapartidas a moradores, como bolsas de estudo ou intercâmbio com unidades públicas. "Precisa transformar as escolas em distritais, para que atendam a região e recebam recursos conforme a quantidade de estudantes e o cumprimento de metas."
Todos são unânimes em dizer que qualquer mudança exige melhores remuneração e qualificação para professores. A economista Katy Maia lembra que muitos jovens passam por todo o ensino fundamental e saem com dificuldades de fazer contas básicas. Porém, diz que não é possível cobrar do aluno porque o professor não tem tempo, recursos e incentivo para se qualificar. "Não é investir só em salário, mas no preparo, na graduação dos pedagogos."
Katy lembra que não basta aumentar o número de anos de escolaridade da população, mas fazer isso com qualidade. "Existem escolas e universidades por aí que são um horror. Não adianta só aumentar o número de vagas", diz. Dias completa que a evasão escolar é alta demais no País. "A média de anos de estudo seria maior se a criança ficasse na escola. O governo precisa entender o que acontece e corrigir isso, principalmente até o ensino médio." (F.G.)

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