Regina Pitoscia
Agência Estado
De São Paulo
As mudanças nos fundos de investimento e CDBs tendem a favorecer o investidor: o dinheiro vai ficar mais livre para movimentação; a rentabilidade pode melhorar, com o fim do recolhimento compulsório ao Banco Central; a tributação do IOF fica pesada para aplicações de curto prazo; o pequeno aplicador deve ser beneficiado, porque terá acesso a aplicações de alta liquidez com boa rentabilidade e administração sofisticada; as novas regras tornam mais simples o acompanhamento da aplicação; com maior liberdade, o mercado tende a oferecer novos produtos.
No entanto, a principal preocupação do aplicador, neste momento, deve ser a de verificar se os fundos em que aplica ganharam liquidez diária, se as taxas de administração subiram, se haverá compensação de CPMF, se as facilidades e os produtos novos estão sendo oferecidos.
Se até o mês passado o investidor definia em que fundo aplicar pelo tempo que podia deixar o dinheiro empregado, a partir de agora, com o fim das carências, essa decisão tende a calcar-se muito mais na política de investimento do fundo. Quer dizer, em que tipo de títulos e mercados o dinheiro será empregado. Quem é avesso a riscos deverá ficar entre os DI ou os de renda fixa; já quem tem disposição e pode assumir algum risco tem como opção o de derivativos e os multicarteira; e quem precisa de proteção contra oscilações do dólar poderá contar com os cambiais.
O mercado também gostou das mudanças: ‘‘Desde 95, a indústria de fundos reivindicava o fim do compulsório e das carências nas aplicações’’, diz Alexandre Zakia Albert, um dos coordenadores da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid). Para ele, houve um avanço na legislação em termos conceituais, tornado-a mais próxima dos modelos internacionais. ‘‘Agora, o cliente terá aplicações apropriadas à sua necessidade e não às normas legais.’’
Zakia Albert acredita que os fundos ganharam atrativos e, por isso, a tendência é de crescimento do setor, mas ele admite que, por conta da simplificação das normas e do fim dos prazos, muitas carteiras possam ser fundidas, reduzindo o número de fundos.
Embora a grande maioria das instituições tenha optado por proporcionar liquidez diária a seus fundos, Albert acredita que, se houver demanda, o mercado poderá oferecer fundos com prazo mais longo, porém com melhor rentabilidade.

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