Mudança no IR de empresas pode afetar linhas de crédito
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quinta-feira, 12 de maio de 2005
Thiago Velloso<br>Agência Estado 
São Paulo A decisão do governo federal de mudar a forma de recolhimento do Imposto de Renda (IR) na fonte da empresas, hoje feito semanalmente, para um único pagamento mensal, deve gerar impacto nas linhas de crédito de capital de giro para pessoas jurídicas muitas vezes utilizada para saldar o imposto semanal.
Para o economista-chefe da Federação Brasileiras de Bancos (Febraban), Roberto Troster, é certo que o volume concedido deve se reduzir um pouco, mas o impacto será marginal. ''O imposto de renda é apenas um dos fatores que levam as empresas a tomarem recursos para capital de giro, mas isso não preponderante para a decisão de pedir o empréstimo'', afirmou ele.
Segundo Troster, mesmo que haja uma redução no interesse, os volumes devem se manter elevados, o que manterá a saúde dessas linhas de crédito. ''Se houver alguma queda no volume ela só será notada na segunda casa depois da vírgula'', disse ele.
De acordo com dados do Banco Central (BC), em março o saldo das operações de capital de giro encontrava-se em R$ 42,8 bilhões, uma alta de 34,5% sobre o mesmo mês do ano anterior.
O analista de crédito da ABM Consulting, Gustavo Pedreira, acredita que o resultado da ação do governo, que pretende fortalecer o caixa das empresas, só será sentido no médio prazo e, mesmo assim, de forma muito leve. ''A necessidade de financiamento da atividade empresarial é muito mais importante para as linhas de capital de giro do que o recolhimento semanal do IR'', disse.
Mesmo que haja uma queda nos volumes tomados, Pedreira acredita que essa mudança deve ser compensada pelo crescimento continuado do País. ''Se a economia do Brasil continuar num ritmo de alta, a necessidade de tomar mais crédito também aumentará, o que pode compensar a diminuição da demanda por conta da mudança no recolhimento do imposto'', afirmou Pedreira.


