Mudança no consórcio anima empresas
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sábado, 12 de julho de 1997
Carina Paccola Londrina 
Marcos BorgesNova frenteFogaça: Para o mercado da construção civil, que não está produzindo e vendendo imóveis com toda a sua capacidade, esse fato novo pode provocar uma movimentação. Já analisamos a possibilidade de formar nosso próprio grupo de consórcio.Empresas de consórcio e de construção civil de Londrina já estão se movimentando em função das mudanças publicadas pelo Banco Central na área de consórcio. A Autobens, que só atuava no setor de consórcio automotivo, resolveu pedir autorização do BC para trabalhar também com imóveis residenciais e comerciais. Nos últimos dias, conseguiu autorização para vender duas mil cotas nessa área. A construtora Meta estuda a possibilidade de ter seu próprio grupo de consórcio, segundo o diretor Renato Alcântara Fogaça.
Para o mercado da construção civil, que não está produzindo e vendendo imóveis com toda a sua capacidade, esse fato pode causar uma movimentação, analisa Fogaça. Ele afirma que a idéia inicial da construtora é destinar algumas unidades de condomínios horizontais para serem vendidas por consórcio. Talvez possamos associar-nos a alguma administradora de consórcio ou até montarmos nosso próprio consórcio. Vamos estudar, diz.
Ele cita o condomínio horizontal Village do Engenho, que já está com a infra-estrutura pronta e onde deve começar a construção das casas em agosto. Projetado para ter 394 unidades - a partir de 300 metros quadrados cada - o condomínio é voltado para as classes A e B. Já temos uma dessas casas vendida pelo sistema de consórcio. Agora com o prazo mais alongado, podemos ter mais compradores interessados no sistema, que é um financiamento sem juro, afirma Fogaça. Segundo ele, com tempo médio de 180 dias na construção de uma casa, a construtora Meta pode entregar em 90 meses o imóvel. O consorciado receberia a casa na metade do prazo de pagamento do consórcio.
O diretor comercial da construtora Plaenge, Fernando Fabiano, não acredita que haja um impacto grande no setor. Segundo ele, por ser um consórcio de carta de crédito, o sistema vai competir com o programa de carta de crédito da Caixa Econômica Federal, que libera o crédito imediatamente, enquanto que no consórcio o comprador tem que ser contemplado. A vantagem do consórcio é que não há pagamento de juro.
Com a publicação de circular no dia 4 de julho, o BC autoriza a formação de grupos de consórcio para imóveis comerciais - antes só havia para residenciais -; amplia o prazo de 100 para 180 meses nos consórcios de imóveis; permite a reforma de imóveis; a compra de terrenos; de pacotes turísticos; e amplia o prazo de 24 para 60 meses nos eletroeletrônicos.
O sócio-proprietário da administradora Autobens, Carlos Alberto Garcia, afirma que desde o anúncio das medidas há grande procura pelo consórcio de imóveis. Os clientes estão fugindo dos financiamentos bancários para comprar imóvel por causa dos juros. Ele explica que pretende vender cotas de R$ 15 mil a R$ 20 mil, para atingir público de mais baixa renda. Quem tiver pressa pode dar lance e quitar o imóvel. A preocupação de Garcia é em saber formas de garantia para as empresas de consórcio em caso de inadimplência do comprador de imóvel. Se for de baixo custo e for moradia do consorciado, fica difícil tomar o imóvel de volta.
A empresa Rodobens, que já trabalha com consórcios de imóveis, comemora a decisão do Banco Central. A vantagem dos 180 meses é que o cliente vai pagar prestações mais baixas, afinal são 15 anos. Ele pode dar lance e até quitar o imóvel, explica Nelson Ronie dos Santos, responsável pela área administrativa da Rodobens em Londrina.
Mas o maior benefício das novas medidas, na opinião de Ronie, é a abertura dos consórcios para imóveis comerciais. Segundo ele, é antiga a procura por esse tipo de consórcio. Muitos empresários que pagam aluguel de prédio não têm dinheiro para comprar o imóvel porque é muito caro. Eles ficam pagando aluguel por 20 anos e, nesse tempo, poderiam pagar um consórcio de carta de crédito para oferecer ao dono do imóvel, explica Ronie. Segundo ele, geralmente esses empresários já moram em casa própria e querem também ser proprietários do imóvel comercial.


