Alterações nas regras de contratação de seguro de vida do Banco do Brasil estão gerando revolta nos clientes segurados do banco. Até agora, o Ministério Público de Londrina já recebeu oito reclamações e o promotor Leonir Batisti está investigando o caso.
Desde de janeiro deste ano, os clientes que já tinham seguro Ouro Vida, do Banco do Brasil, começaram a receber uma correspondência informando sobre a mudança do plano. Em todo o País, há 430 mil segurados nesse sistema. No informativo, os clientes são comunicados que a partir do dia 31 de março o plano passa para uma nova modalidade, denominada Seguro Ouro Vida Grupo Especial. Quem não estiver de acordo com a mudança, deve comunicar previamente o banco, que não oferece outra alternativa para o cliente a não ser o desligamento do plano.
Na nova modalidade, as principais mudanças são referentes à faixa de cobrança do prêmio, que, mesmo para os antigos clientes do seguro, passa a ser cobrada pela idade atual, e não pela qual foi contratada anteriormente. A correção do valor do prêmio e da apólice do seguro também mudam. No sistema anterior, a correção era feita pelo IGP-M; na nova modalidade, além desse índice, também há a correção pelo que foi chamado ‘‘fator anual’’, vinculado à faixa etária do cliente. Outra desvantagem é não mais cobrir seguro para invalidez.
Para o funcionário público aposentado Antonio Aparecido Calijuri, a situação é ‘‘revoltante’’. Cliente do seguro de vida do BB desde 1997, quando tinha 49 anos, Calijuri não aceita a nova imposição. ‘‘Não é justo mudar as regras e não dar alternativa para o cliente que já tinha o seguro’’, afirma.
Calijuri explica que atualmente paga aproximadamente R$ 70,00, considerando valores segurados por morte natural de R$ 86.618,00, por morte acidental de R$ 173.236,00 e de invalidez R$ 86.618,00. ‘‘Se aceitar o novo sistema, perco a cobertura por invalidez, minha mensalidade passa para R$ 115,00 e daqui a um ano terei correção por IGP-M e mais 9% de ‘fator anual’. Quando tiver 70 anos, essa porcentagem passa para 15% e não terei condições de permanecer no seguro’’, afirma Calijuri.
A Folha entrou em contato com a Superintendência do Banco do Brasil e a Superintendência de Seguros Privados (Susep), mas não obteve retorno até o fechamento da edição.

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