Rio de Janeiro - O ministro do Planejamento, Guido Mantega, anunciou ontem mudanças na Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e adiantou que as modificações poderão reduzir a taxa de desemprego ''em um ou dois pontos porcentuais''. A principal modificação será a área de abrangência da pesquisa, atualmente restrita às seis principais regiões metropolitanas do País e que passará a todos os 27 Estados.
Caso a previsão de Mantega seja confirmada, a taxa de desemprego de 12,2% divulgada pelo IBGE na semana passada, por exemplo, poderia ter sido de 10,2%. Mas a nova pesquisa só será divulgada a partir de 2006.
O ministro argumentou, sobre a possível queda na taxa, que é provável que a desocupação no interior do País esteja caindo mais aceleradamente do que nas capitais, sobretudo por causa do crescimento do agronegócio.
Para o ministro, a queda do desemprego em maio, na comparação com abril, como divulgou o IBGE na semana passada, é um dos sintomas de que a recuperação econômica do País já começou. ''A economia começa a reagir de modo geral'', disse, acrescentando que a reação está mais atrelada exclusivamente às exportações, mas já chega também ao varejo.
O presidente do IBGE, Eduardo Nunes, explicou que o projeto da nova pesquisa será finalizado ainda neste ano. Em 2005, serão realizados os testes-piloto. ''Se tudo der certo, a nova pesquisa será realizada em janeiro de 2006'', disse.
Questionado se a divulgação de dados novos de desemprego em ano de eleições presidenciais não poderá criar polêmica sobre as intenções do governo, Nunes afirmou que ''não podemos nos pautar pelo calendário eleitoral, até porque no Brasil há eleições a cada dois anos. Se a taxa cair, divulgamos, e se subir também''.
Seade/Dieese - O desemprego na região metropolitana de São Paulo caiu de 20,7% em abril para 19,7% da População Economicamente Ativa (PEA) em maio. Foi a primeira queda desde dezembro de 2003, quando a taxa de desemprego ficou em 19,1%, após bater em 19,9% em novembro.
A redução foi puxada pela geração de 157 mil postos de trabalho, a maior criação de vagas já registrada desde 1985, quando a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) começou a ser feita pela Fundação Seade/Dieese. Desse total, 54 mil vagas foram geradas pela indústria, que liderou a criação de empregos na região metropolitana de São Paulo.
Esse comportamento diferencia-se da Pesquisa Mensal de Empregos (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE ), que mostrou na semana passada que o aumento do nível de ocupação se deu por conta de vagas criadas pelo setor público. A criação recorde de empregos, combinada com a entrada de 73 mil pessoas no mercado de trabalho, reduziu em 84 mil o número de desempregados na região, que foi estimado em 1,960 milhão pela Fundação Seade/Dieese.

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