Desprender-se dos valores do trabalho vigente, muitas vezes, pode não ser tão fácil. Dentro da Economia Solidária não existe patrão, já que o grupo é proprietário dos meios de produção, conhece todo o processo de fabricação e toma as decisões coletivamente, ou seja, pratica a autogestão.
''No sistema capitalista, a lógica é que sempre tem alguém que manda, que pensa por todos. É uma mudança muito grande do ponto de vista de produção. As pessoas estão muito apegadas ao modelo antigo e a história mostra que o coletivo é muito mais difícil que o individual'', comenta Liria Bettiol, da Intes.
O grupo de Economia Solidária Marrecas, do Distrito de Irerê, começou com 14 mulheres. Hoje, persistem apenas três pessoas. Segundo a integrante do grupo, Marinete Malaquias Ferreira, muitas desistiram quando se depararam com um sistema de trabalho diferente daquele que estavam acostumadas. ''Trabalhamos com o preço justo. Não é igual ao capitalismo, em que recebemos por hora trabalhada.''
Isaura Bastos Silva, do Grupo Ciranda, do Distrito de Lerrovile, acredita que muitos desistem porque estão acostumados a receber salário fixo.
Mas na opinião da gerente do Programa Municipal de Economia Solidária, Nelma Liberato, os resultados da iniciativa aparecem na autoestima. ''Só o fato de a pessoa pensar que o próprio trabalho gera sua renda, que ela consegue sobreviver do seu trabalho, é um grande motivo para a autoestima.''
Já na opinião de Liria, as práticas participativas são o principal benefício resultante da participação na Economia Solidária. ''Os participantes começam a se colocar mais no processo, participam mais, tomam para si as responsabilidades.''(M.F.C.)

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