A proposta de ampliação do horário do comércio até às 20 horas - em tramitação na Câmara Municipal - tem amplo apoio dos consumidores, é rejeitada com veemência pelos trabalhadores e divide a opinião dos lojistas do Centro da cidade. É o que constatou a FOLHA em um giro ontem à tarde por estalecimentos da Avenida Rio de Janeiro, das ruas Sergipe, Pernambuco e Pio XII, e do Calçadão.
No Centro, grandes redes como Americanas, Pernambucanas e Riachuelo já abrem aos sábados à tarde. Além disso, empresários que atuam na Área Central e em outras regiões mantêm suas lojas dos bairros funcionando nas tardes de sábado por conta de acordos individuais.
Comerciantes da Área Central acreditam que a mudança será benéfica para as empresas e para os funcionários. ''A mudança vai gerar mais empregos'', afirma Samir Ali Zebian, dono da Mega Calçados. Ele estima que os lojistas terão de contratar 20% mais de mão de obra. ''Se eu tenho 10 funcionários, eu contrato mais 2 e faço 2 turnos com 6 funcionários cada'', exemplifica. Neste caso, os trabalhadores do primeiro turno entrariam às 8 horas e, do segundo, às 10 horas. Mesmo assim, ele acha que o investimento será compensado.
''Eu acho que a cidade ganharia com esta proposta. Vai trazer mais riqueza e, em consequência, o próprio funcionário vai ganhar mais. É bom para todos os lados'', considera Taís Aparecida Alves Morillas, proprietária da Fik Bella Cosméticos. Um dos comerciantes mais tradicionais da Rua Sergipe, Tadamassa Ajimura, do Bazar Ajimura, tambem apoia o projeto. ''Londrina é uma cidade grande. Precisa desta flexibilidade. A gente vai na Liberdade em São Paulo e vê as lojas abertas no final de semana. Tem funcionário que só trabalha no final de semana'', justifica.
Apesar de temer a falta de segurança à noite no Centro, a gerente comercial da Homem S/A é favorável à alteração. ''Acho que seria bom para a loja, mesmo tendo de contratar mais funcionários. Nosso único medo é com a questão da segurança.'' Já a sócia da Sinézio Magazine, Solange Pieroli, reivindica isonomia de direitos com os shoppings. ''Se eles podem ficar abertos, por que a gente não? Acho que, se o novo horário for aprovado e as cidades da região ficarem sabendo, vai aumentar em 20% as vendas'', estima.
Contrários
''Não vale a pena. A gente percebe que, quando ficamos abertos depois das 18 horas, o retorno não compensa'', afirma João Basques, dono do Sebo Paraná. ''Para o nosso ramo não é bom. Trabalhamos com joias e acho que é muito inseguro ficarmos abertos depois das 18 horas'', diz Juliana Takamori, dona da Ótica e Relojoaria Takamori.
Para o proprietário da Zupt Baby, Erick Deus, o horário atual é suficiente. ''Se mudar, vou ter de contratar mais funcionárioas e não vai compensar.'' Dono da Unisex Confecções, Tanios Abou Faissal, diz que não falta tempo para as pessoas comprarem. ''Falta dinheiro.''
Para alguns lojistas, a proposta será prejudicial aos funcionários. ''Sou contra. A gente tem de dar oportunidade para os funcionários estudarem e essa lei atrapalharia neste sentido. Além disso, Londrina é uma cidade grande, mas com estilo de cidade pequena'', afirma Celes Catori, proprietária da Casa dos Doces.
Dona da Kalmia Confecções, Alice Egashira, também se diz preocupada com os empregados. ''Eu sou contra. Como é que minhas funcionárias que têm filhos na creche vão fazer? Eu dependo delas e não acho justo que sejam prejudicadas.'' Já a sócia da Paga Pouco Utilidades, Lenice Duarte, não está pensando somente nas funcionárias. ''Para nós mulheres é muito ruim. Quem está lançando esta lei deve ter empregada em casa ou é homem. O comerciante (homem) chega em casa e vai tomar cerveja. Nós temos de fazer as atividades de casa também'', reclama.

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